Incursão na Cidade de Gaza significa que reféns nunca retornarão, diz Hamas

Grupo afirmou anteriormente que estava se preparando para lutar e pontuou que "Gaza será um cemitério para seus soldados"

Abeer Salman, Eugenia Yosef e Kara Fox, da CNN
Integrantes do Hamas mascarados  • Abid Katib/Getty Images
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O Hamas emitiu um forte alerta sobre os reféns na Faixa de Gaza, afirmando que a incursão de Israel na Cidade de Gaza significa que o país perdeu qualquer chance de resgatar as pessoas detidas mo território, vivas ou mortas.

Em uma mensagem escrita em hebraico e dirigida às Forças Armadas e à liderança israelenses, as Brigadas Al-Qassam, braço militar do Hamas, afirmaram que Netanyahu havia emitido uma sentença de morte para os reféns.

"Seus prisioneiros estão distribuídos pelos bairros da Cidade de Gaza, e não nos preocuparemos com suas vidas enquanto Netanyahu decidir matá-los", pontua a mensagem.

"O início desta operação criminosa e sua expansão significam que vocês não receberão nenhum prisioneiro, vivo ou morto, e seu destino será o mesmo que o de (Ron Arad)", adiciona a nota.

Arad é um oficial de sistemas de armas da Força Aérea Israelense que desapareceu em combate em 1986 no Líbano e acredita-se que tenha sido capturado pelo grupo Amal e posteriormente entregue ao Hezbollah.

Em uma declaração posterior, o grupo armado palestino afirmou que estava se preparando para lutar e que "Gaza será um cemitério para seus soldados".

A CNN contatou o gabinete do primeiro-ministro de Israel e aguarda retorno.

Intensificação dos ataques de Israel em Gaza

Antes da incursão terrestre, o Exército de Israel intensificou os ataques aéreos e bombardeios contra prédios na Cidade de Gaza, a área mais populosa da região.

Aproximadamente um milhão de pessoas — quase metade da população de Gaza — vivem na Cidade de Gaza e arredores. Israel tentou forçar a retirada dos moradores, mas há cada vez menos lugares seguros para se refugiar no enclave.

Os palestinos continuam fugindo do norte a pé, de carro e de bicicleta, carregando o que podem para o sul, cada vez mais lotado.

Na quinta-feira (19), as FDI (Forças de Defesa de Israel) estimaram que cerca de 450 mil pessoas permaneciam na Cidade de Gaza, números que a CNN não pôde confirmar de forma independente.

Isso ocorre em um momento em que a ONU e outros alertaram que a ofensiva só agravará uma crise humanitária já catastrófica, sendo que a fome já foi declarada oficialmente em partes de Gaza .

Mais de 65 mil palestinos morreram na Faixa de Gaza desde 7 de outubro de 2023.