Influencers pró-Trump lotam sala de imprensa da Casa Branca; entenda
Repórteres Sem Fronteiras aponta ataques sistemáticos à mídia nos EUA sob Trump; sala de imprensa da Casa Branca é tomada por influenciadores
A sala de imprensa da Casa Branca vive um cenário descrito como "caótico" por jornalistas que acompanham o governo. Conforme relatou a correspondente Mariana Janjácomo, durante o videocast Fora da Ordem, que vai ao ar ao vivo às sextas-feiras, a partir das 13h, no canal de YouTube da CNN Brasil e na TV aos domingos às 17h15, o espaço passou a ser ocupado por um número crescente de influenciadores digitais alinhados ao presidente Donald Trump, o que tem dificultado o acesso de profissionais da imprensa tradicional.
De acordo com a jornalista, o ambiente está tão cheio que o governo deixou de oferecer o day pass, credencial temporária usada por quem não possui autorização permanente. Além disso, obter o credenciamento fixo também se tornou mais difícil diante da alta demanda. Entre os novos presentes, há perfis pouco convencionais no ambiente jornalístico, como uma repórter ligada a uma empresa de travesseiros e um homem que se apresenta como reverendo judeu e médico.
Mariana relata ainda episódios em que esses influenciadores interagem com jornalistas e, em seguida, fazem transmissões ao vivo criticando a imprensa tradicional, frequentemente usando o termo "fake news media". "É um ambiente caótico, não só por causa das notícias, que não param, mas pelo número de pessoas mesmo que tem lá", afirmou.
Liberdade de imprensa
Esse cenário ocorre em meio a um contexto mais amplo de tensão entre o governo Trump e a imprensa nos Estados Unidos. Desde o início de sua gestão, há registros de aumento da pressão sobre veículos de comunicação, incluindo processos judiciais contra empresas de mídia e ameaças de revogação de licenças.
Esse ambiente também ajuda a explicar a recente queda dos Estados Unidos no Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa, elaborado pela ONG Repórteres Sem Fronteiras. Pela primeira vez em mais de 25 anos, o Brasil ultrapassou os norte-americanos na lista.
O levantamento, que avalia 180 países, coloca o Brasil na 52ª posição, enquanto os Estados Unidos aparecem em 64º lugar. A ONG considera fatores como independência da mídia, ambiente legal, pressões políticas e segurança dos jornalistas.
Segundo o relatório, enquanto os EUA enfrentam um aumento de ataques sistemáticos à imprensa, o Brasil registrou redução nas pressões governamentais diretas contra jornalistas nos últimos anos — embora ainda enfrente violência, especialmente ligados ao crime organizado em regiões menores.
A organização também fez um alerta global: a maioria dos países avaliados apresenta situação difícil ou muito difícil em relação à liberdade de imprensa. Países europeus seguem liderando o ranking, com a Noruega na primeira posição, enquanto regimes autoritários, como Eritreia, China e Coreia do Norte, ocupam as últimas colocações.


