Irã diz que negociações avaliaram “seriedade” dos EUA para via diplomática
Países tentam retomar conversas após temores de novos ataques de forças americanas

As negociações nucleares com os Estados Unidos permitiram que o Irã avaliasse a seriedade dos americanos e mostraram consenso suficiente para continuar na via diplomática, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano nesta terça-feira (10).
Diplomatas dos EUA e do Irã mantiveram conversas por meio de mediadores de Omã na semana passada, em um esforço para retomar a diplomacia.
Isso acontece após o presidente Donald Trump enviar uma grande frota militar para a região, aumentando os temores de novos ataques.
“A reunião em Mascate não foi longa. Em nossa opinião, foi para avaliar a seriedade do outro lado e como continuar nesse caminho”, disse Baghaei.
“Após as conversas, sentimos que havia entendimento e consenso para continuar o processo diplomático", adicionou.
O porta-voz afirmou que uma viagem a Omã nesta terça-feira por Ali Larijani, assessor do líder supremo do Irã, foi planejada com antecedência para dar continuidade às consultas regionais, e que ele viajaria em seguida para o Catar.
Em relação à viagem prevista do primeiro-ministro israelense a Washington, Baghaei disse que os EUA “precisam agir independentemente de pressões estrangeiras, especialmente pressões israelenses que ignoram os interesses da região e até mesmo dos EUA”.
Entenda a tensão entre Irã e Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar um ataque militar contra o Irã caso o país não negocie um novo acordo nuclear que "seja justo com todas as partes".
O líder americano disse que enviou uma "grande frota" para a região, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln e caças F-35.
Autoridades iranianas, por sua vez, refutaram a ideia de negociar sob ameaça dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que conversas só poderão ocorrer "em condições em que ameaças e demandas sejam deixadas de lado".
Araghchi também alertou que as Forças Armadas do Irã estão totalmente preparadas para responder “imediata e poderosamente” a qualquer agressão contra o território, o espaço aéreo ou as águas iranianas.
A escalada da tensão entre o Irã e os EUA neste ano teve início com a repressão aos protestos antigovernamentais no início de janeiro no país do Oriente Médio. A população iraniana se revoltou com a inflação desenfreada, tomando as ruas em manifestações contra o regime.
Trump alertou repetidamente que "atacaria com força total" se as autoridades iranianas reprimissem violentamente as manifestações, afirmando que o país estava "pronto e armado".
Durante os protestos, um bloqueio de internet foi imposto no país e mais de 5 mil manifestantes foram mortos, segundo grupos de direitos humanos.
Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo do Irã, afirmou que qualquer ataque dos Estados Unidos seria considerado o "início de uma guerra".


