Irã mantém uma capacidade de reação bastante expressiva, diz professor

Em entrevista à CNN, o professor de Geopolítica da Escola Superior de Guerra analisa o conflito no Oriente Médio e explica os possíveis cenários para o futuro

Da CNN Brasil
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Em entrevista à CNN, o professor de Geopolítica da ESG (Escola Superior de Guerra), Ronaldo Carmona, afirmou que o Irã permanece como uma força militar substantiva, apesar dos recentes ataques sofridos. Segundo Carmona, mesmo com algum nível de degradação das capacidades militares iranianas em função dos ataques iniciais, o país ainda mantém uma capacidade de reação bastante expressiva no cenário internacional.

O especialista explicou que os EUA proclamaram um objetivo maximalista em relação ao Irã, propondo não apenas tratar da questão do programa nuclear iraniano, mas também ampliar essa pauta para o fim do programa de mísseis do país e para o corte do apoio iraniano a vários movimentos políticos e insurgentes da região do Oriente Médio. "Na proclamação inicial do presidente Trump, se propôs, literalmente, que o objetivo da operação era a decapitação do regime", destacou.

O especialista analisou os possíveis cenários para a evolução do conflito. O primeiro seria a entrada de tropas americanas em solo iraniano, o que, segundo ele, seria necessário para cumprir o objetivo de derrubar o regime. No entanto, Carmona considera esse cenário pouco plausível tanto do ponto de vista militar quanto político.

"Militarmente, porque exigiria a mobilização de milhares e milhares de soldados. Afinal de contas, nós estamos falando do Irã, um país de 90 milhões de habitantes com uma geografia também bastante particular", explicou. Carmona destaca as restrições políticas, uma vez que Trump assumiu a plataforma de não iniciar mais guerras desnecessárias que envolvam baixas de soldados americanos.

Um segundo cenário seria uma acomodação de interesses, no qual o Irã aceitaria as posições maximalistas americanas. Porém, o professor também considera essa possibilidade pouco plausível, devido às características das forças que dirigem o Estado iraniano atualmente e porque aceitar essa acomodação representaria, por exemplo, aceitar o fim do programa de mísseis, que constitui a espinha dorsal da capacidade militar iraniana.

O especialista alertou ainda para os efeitos econômicos globais do conflito, como o impacto nos preços do petróleo, o que gera uma certa desestabilização da economia mundial. Por isso, ele considera que um terceiro cenário, de guerra prolongada com troca contínua de ataques, também não seria razoável do ponto de vista dos interesses internacionais.

Estratégia americana e impactos globais

O professor relacionou o atual conflito com a Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos e seu documento operacional, a Estratégia de Defesa. Segundo ele, esses documentos propõem um desengajamento da presença militar americana tanto na Europa quanto no Oriente Médio, para se concentrar no que consideram a necessidade de domínio hemisférico pleno das Américas e uma ação de contenção da China no Pacífico.

"Se a proposta da Estratégia de Segurança Nacional e de Defesa é um desengajamento no Oriente Médio, então me parece que essa operação de troca de regime do Irã faz sentido no que diz respeito ao maior protagonismo de Israel na organização dessa região a favor dos interesses israelenses e americanos", analisou Carmona.

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