Irã "não tolerará" a extensão do bloqueio naval, afirma conselheiro militar
Assessor do líder supremo iraniano adverte que país responderá se sanções navais dos Estados Unidos continuarem

De acordo com a mídia estatal, Mohsen Rezaei, principal assessor militar do líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei, afirmou que o Irã "não tolerará" uma extensão do bloqueio naval dos Estados Unidos.
“Se o bloqueio continuar, o Irã responderá”, disse Rezaei em uma entrevista televisionada, informou a emissora estatal iraniana IRIB na manhã desta quinta-feira (30).
“Esse bloqueio não alcançou praticamente nada e eles não conseguiram impô-lo. O Oceano Índico é extremamente vasto e podemos atravessá-lo facilmente; já o fizemos”, acrescentou Rezaei.
Seus comentários surgiram em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, considera um bloqueio prolongado dos portos iranianos.
Rezaei também pediu ao público que não desse ouvidos a rumores sobre a situação de Khamenei, que não foi visto nem se teve notícias dele desde que foi anunciado como o novo líder supremo do Irã, há mais de seis semanas.
“O Líder Supremo é jovem, saudável e enérgico, e está administrando os assuntos do país”, disse Rezaei, de acordo com a IRIB.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse na segunda-feira (27) que o governo americano “têm indicações” de que Khamenei ainda está vivo, embora tenha dito que não está claro quanta credibilidade o novo líder supremo tem no Irã.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.900 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Mais de 2.500 morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.


