Israel aprova residência na Cisjordânia para 4 mil palestinos sem documentos

Ministro da Defesa israelense, Benny Gantz, disse que a medida se trata de um gesto humanitário

Primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, durante reunião de gabinete em Jerusalém
Primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, durante reunião de gabinete em Jerusalém 12/09/2021 Abir Sultan/Pool via REUTERS

Ali SawaftaJeffrey HellerNidal al-Mughrabida Reuters

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Israel anunciou nesta terça-feira (19) que aprovou o registro para que cerca de 4 mil palestinos se tornarem residentes da Cisjordânia. Eles vivem há anos no território ocupado por Israel sem status oficial.

A decisão afeta 2.800 ex-habitantes da Faixa de Gaza que deixaram o enclave depois que militantes islâmicos do Hamas o tomaram em combates palestinos internos em 2007, disse o escritório de ligação do COGAT de Israel aos palestinos.

Cerca de 1.200 outros palestinos, entre eles cônjuges sem documentos e filhos de residentes da Cisjordânia, também receberão legitimidade oficial.

A inclusão no registro da população palestina, controlado por Israel, permitirá que o grupo receba carteiras de identidade. A documentação permitirá a passagem por postos de controle militares israelenses na Cisjordânia – área capturada em uma guerra de 1967.

Israel descreve os bloqueios de estradas, avaliados por palestinos e grupos de direitos humanos como uma restrição à liberdade de movimento, como uma necessidade de segurança.

No Twitter, o ministro da Defesa israelense, Benny Gantz, disse que aprovou os 4 mil registros de residência como um gesto humanitário e “como parte da minha política para fortalecer a economia e melhorar a vida dos palestinos” na Cisjordânia.

Benny Gantz fez acordo com partido de Netanyahu
Benny Gantz, ministro da Defesa de Israel / Foto: Nir Elias – 02.mar.2020/ Reuters

Hussein Al Sheikh, um alto funcionário da Autoridade Palestina (AP) que exerce autogoverno limitado na Cisjordânia, disse no Twitter que os 4 mil “obtiveram seu direito à cidadania” e receberiam carteiras de identidade.

Sob acordos de paz provisórios na década de 1990 que estabeleceram a AP, o lado palestino recebeu o direito, com aprovação prévia de Israel, de conceder residência permanente na Cisjordânia e Gaza para cônjuges e filhos de residentes palestinos. Os acordos não especificavam dados sobre o reagrupamento familiar.

Grupos de direitos humanos que examinam as atividades israelenses nos territórios ocupados disseram que um sistema de cotas foi colocado em vigor, com o número de pedidos de reunificação a serem considerados anualmente por Israel aumentando para 4 mil no ano 2000.

Israel congelou o processo no início de um levante palestino em setembro de 2000. Concedeu cerca de 32 mil pedidos de reunificação em 2008 e 2009, mas em grande parte suspendeu as aprovações, exceto por alguns casos humanitários.

Gantz deu as novas aprovações cerca de sete semanas depois de manter conversações com o presidente palestino Mahmoud Abbas na cidade de Ramallah, na Cisjordânia.

Foi a reunião de mais alto nível entre Abbas e um ministro israelense a ser tornada pública desde que o novo governo de Israel foi formado em junho.

O primeiro-ministro israelense Naftali Bennett, um político de extrema direita, se opõe à criação de um Estado palestino, uma questão polêmica que seu governo interpartidário dificilmente seguirá. As negociações de paz entre israelenses e palestinos fracassaram em 2014.

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