Israel critica Nobel da Paz para juíza e acusa prêmio de legitimar ódio

Ministério das Relações Exteriores israelense acusou jurista de promover uma campanha de demonização política contra o país e chamou de mentira a conclusão sobre genocídio em Gaza

Da CNN Brasil
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O Ministério das Relações Exteriores de Israel criticou nesta sexta-feira (9) a concessão do Nobel da Paz à jurista sul-africana Navi Pillay. Em uma publicação nas redes sociais, a pasta afirmou que a premiação foi usada para “legitimar o ódio e o preconceito contra Israel”.

“Se houvesse um prêmio para mentiras, ódio e acusações caluniosas, Navi Pillay não seria apenas uma candidata. Ela seria a favorita”, afirmou o ministério.

A publicação também acusou Pillay de participar de uma campanha de “demonização de Israel com motivação política” e de promover o que chamou de mentira sobre o genocídio.

O governo israelense ainda classificou a decisão do Comitê Nobel como uma instrumentalização do prêmio e afirmou que a premiação reconheceu “a maior mentira do século 21”. A publicação terminou com uma referência ao ministro da Propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels, ao dizer que ele estaria aplaudindo “do inferno”.

As declarações foram feitas após o reconhecimento de Pillay, que presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado entre 2021 e 2025. Sob sua liderança, a comissão concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza. O governo israelense rejeita essa conclusão.

Quem é Navi Pillay

A juíza Navanethem "Navi" Pillay, vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2026, é uma jurista sul-africana de origem indiana tâmil, que atuou como Alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014, além de ter passagem pelo TPI (Tribunal Penal Internacional).

Pillay foi a primeira mulher negra a integrar o Tribunal Superior da África do Sul, indicada pelo presidente Nelson Mandela em 1995.

Em 1999, tornou-se juíza e presidente do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado para julgar crimes cometidos durante o genocídio de 1994.

Anos depois, Pillay também atuou como juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI), que julga indivíduos acusados de crimes internacionais graves.

Entre 2008 e 2014, Pillay ocupou o cargo de Alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos.