Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Israel sabia do plano de ataque do Hamas, mas ignorou, diz The New York Times

    Autoridades israelenses teriam avaliado que seria muito difícil para o grupo armado executar a ofensiva

    Membros palestinos das Brigadas Ezz Al-Din Al Qassam, a ala militar do Hamas, queimam veículos blindados militares pertencentes às forças israelenses perto da Faixa de Gaza
    Membros palestinos das Brigadas Ezz Al-Din Al Qassam, a ala militar do Hamas, queimam veículos blindados militares pertencentes às forças israelenses perto da Faixa de Gaza Getty Images

    Rob PichetaSimone McCarthyda CNN

    O ataque surpresa do Hamas, em 7 de outubro deste ano, surpreendeu Israel, causando repercussão até hoje sobre o que a inteligência do país sabia sobre a operação.

    Ao menos 1.500 combatentes do Hamas atravessarem a fronteira para Israel naquele dia, matando ao menos 1.200 israelenses e fazendo outras centenas de reféns.

    Entretanto, uma reportagem do New York Times afirmou que Israel teve acesso ao plano do Hamas para o ataque com mais de um ano de antecedência.

    O relatório diz que as autoridades israelenses consideraram o plano uma aspiração, ou seja, muito ambicioso, e o consideraram muito complexo para ser executado pelo grupo radical islâmico.

    Outros meios de comunicação, incluindo o jornal israelense Haaretz, também noticiaram que Israel saberia do ataque.

    O que Israel sabia?

    Autoridades israelenses obtiveram um documento que descreve o plano de batalha do Hamas para o ataque terrorista de 7 de outubro, mais de um ano antes de o grupo colocá-lo em prática, informou o New York Times na quinta-feira (30), citando documentos, e-mails e entrevistas.

    O relatório de cerca de 40 páginas não indicava uma data para o ataque, mas delineava “ponto por ponto” o tipo de incursão que o Hamas realizou em território israelense em outubro, segundo o New York Times, que analisou o documento traduzido.

    Oficiais militares e de inteligência de Israel, entretanto, rejeitaram o plano que descobriram, avaliando que seria muito difícil para o Hamas executá-lo, ainda de acordo com o jornal.

    O documento, que as autoridades israelenses deram o nome de “Muro de Jericó”, detalhava uma ofensiva que destruiria as fortificações em torno da Faixa de Gaza, dominaria cidades israelenses e teria como alvo bases militares importantes.

    Isso foi seguido com precisão pelo Hamas em 7 de outubro, destacou o Times.

    Nesse dia, combatentes do grupo radical islâmico avançaram através da fronteira de Gaza, no que foi o ataque mais mortal em um único dia contra Israel desde a fundação do país, em 1948.

    O que o governo de Israel disse sobre sua inteligência?

    O ataque foi amplamente visto como uma grande falha da inteligência de Israel. Várias autoridades da Defesa e Segurança assumiram, em parte, a responsabilidade pelos erros que levaram aos ataques.

    Mais tarde naquele mês, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu recebeu duras críticas depois de ter acusado os chefes de segurança de não o terem avisado sobre o ataque iminente. A alegação foi feita em uma publicação nas redes sociais, que o premiê apagou depois.

    “Pelo contrário, todos os responsáveis da Defesa… avaliaram que o Hamas foi dissuadido”, escreveu Netanyahu à época.

    Tanques israelenses em operação na Faixa de Gaza / Ronen Zvulun/reuters (22.nov.23)

    Em uma entrevista à CNN no início deste mês, o primeiro-ministro israelense se recusou a responder se assumiria a responsabilidade por não ter evitado o ataque.

    De acordo com o New York Times, o documento “Muro de Jericó” circulou amplamente entre os líderes militares e de inteligência israelenses, mas não ficou claro se Netanyahu ou outros líderes políticos importantes viram o relatório.

    O que os EUA sabiam antes do ataque?

    A inteligência dos Estados Unidos produziu pelo menos duas avaliações, baseadas em parte na inteligência fornecida por Israel, alertando a administração Biden sobre um maior risco de conflito palestino-israelense nas semanas anteriores ao ataque, disseram fontes nos dias após 7 de outubro.

    Uma atualização em 28 de setembro alertou, com base em múltiplos fluxos de inteligência, que o Hamas estava preparado para realizar ataques com foguetes através da fronteira.

    Um telegrama da CIA, a agência de inteligência dos EUA, em 5 de outubro alertou para a possibilidade crescente de violência por parte do grupo armado.

    Depois, em 6 de outubro, um dia antes do ataque, autoridades dos EUA fizeram circular relatórios de Israel indicando atividade incomum por parte do Hamas. Indicações que agora são claras: um ataque era iminente.

    Ainda assim, nenhuma das avaliações americanas ofereceu detalhes tácticos ou indicações do enorme alcance, escala e brutalidade da operação que o Hamas realizou em 7 de outubro, ponderam as fontes.

    Não está claro se alguma destas análises dos EUA foi compartilhada com Israel, que fornece grande parte da informação que os Estados Unidos baseiam os seus relatórios.

    Uso de telefones com fio nos túneis sob Gaza

    As informações compartilhadas com os EUA sugeriram que uma pequena célula de agentes do Hamas planejou a ofensiva.

    Esses combatentes teriam usado uma rede de telefones com fios construída na rede de túneis sob a Faixa de Gaza durante dois anos, disseram à CNN duas fontes familiarizadas com o assunto no final de outubro.

    As linhas telefônicas nos túneis permitiam que os agentes se comunicassem em segredo, garantindo que não seriam rastreados por funcionários da inteligência israelense, ressaltaram as fontes à CNN.

    Durante os dois anos de planejamento, a pequena célula que operava nos túneis permaneceu “no escuro” até a hora de convocar centenas de combatentes do Hamas para lançar o ataque de 7 de outubro, destacaram as fontes.

    Eles evitaram usar computadores ou telefones celulares durante o período, para evitar a detecção pela inteligência israelense ou norte-americana.

    A informação compartilhada com autoridades dos EUA por Israel revela como o Hamas escondeu o planejamento da operação por meio de medidas antiquadas de contra-espionagem, como a realização de reuniões de planejamento pessoalmente e não usar comunicações digitais cujos sinais pudessem ser rastreados.

    *Pamela Brown, Zachary Cohen, Katie Bo Lillis, Alex Marquardt e Natasha Bertrand, da CNN, contribuíram para essa reportagem

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

    versão original