Israel suspende batalhão após agressão à equipe da CNN na Cisjordânia

Unidade de reservistas enviada a treinamento disciplinar após detenção e ataque a fotojornalista

Da CNN
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O principal general do Exército de Israel suspendeu todas as atividades de um batalhão da reserva envolvido na detenção e agressão a uma equipe da CNN na Cisjordânia na semana passada, informou o Exército nesta segunda-feira (30). Um dos soldados foi dispensado do serviço militar.

O batalhão, composto por centenas de reservistas que serviram no ultraortodoxo Netzah Yehuda, será retirado da Cisjordânia e enviado para treinamento até novo aviso, segundo um oficial israelense.

A medida foi tomada pelo chefe do Estado-Maior, general Eyal Zamir, cerca de 48 horas após a veiculação do primeiro relatório da CNN sobre o incidente.

A ação também reflete preocupações dentro das forças de segurança sobre a escalada da violência de colonos na região.

O episódio ocorreu na quinta-feira (26) na vila palestina de Tayasir, onde a equipe cobria as consequências de um ataque por colonos que haviam estabelecido um assentamento ilegal.

Durante a abordagem, um soldado aplicou um golpe de estrangulamento no fotojornalista Cyril Theophilos, derrubando-o ao chão e danificando sua câmera. Os outros integrantes da equipe da CNN foram detidos.

O IDF classificou o incidente como uma “grave falha ética e profissional”, destacando que os padrões de conduta demonstrados não correspondem aos valores do Exército. “Armas devem ser usadas apenas para cumprir a missão e nunca para vingança. Não aceitaremos tais incidentes”, afirmou Zamir.

O batalhão passará por treinamento voltado a reforçar sua disciplina e conduta profissional, e o Comandante do Comando Central decidirá quando poderá retomar operações. Medidas adicionais serão aplicadas aos soldados envolvidos.

O Netzah Yehuda foi criado para integrar judeus ultraortodoxos ao Exército, mantendo regras religiosas como segregação de gênero e observância rigorosa.

Nos últimos anos, entretanto, o batalhão, principalmente na Cisjordânia, atraiu membros de grupos de colonos de ultradireita, como os “Hilltop Youth”.

Em 2024, a administração do presidente Joe Biden considerou sancionar o Netzah Yehuda por supostas violações de direitos humanos contra palestinos, incluindo assassinatos e espancamentos, mas o plano foi abandonado após Israel apresentar informações sobre medidas corretivas do Exército.

Durante a detenção, soldados afirmaram em vídeo que consideravam toda a Cisjordânia território judeu e que agiam em retaliação ao suposto assassinato de um colono dias antes.

Um deles, identificado como Meir, admitiu que o assentamento em Tayasir era ilegal, mas disse que seria “legalizado aos poucos”. Meir foi dispensado do serviço militar, e o comandante do batalhão, o comandante da companhia, o vice-comandante e o sargento receberam repreensões.

O ministro de Segurança Nacional de ultradireita, Itamar Ben Gvir, criticou a suspensão, chamando-a de “grave erro que prejudica nossos combatentes e a capacidade de dissuasão de Israel”.

O caso ganhou ampla repercussão na mídia israelense, destacando de forma rara a violência de colonos contra palestinos e o papel do Exército no conflito.

Yair Golan, líder do partido Democratas e ex-vice-chefe do Estado-Maior, pediu que Zamir deixe claro: “Não existe ‘terror permitido’. Terror é terror. E terror é combatido com mão de ferro”.

O Sindicato de Jornalistas de Israel também exigiu que os soldados envolvidos sejam processados. A ação disciplinar foi anunciada um dia após o porta-voz militar, tenente-coronel Nadav Shoshani, pedir desculpas publicamente à CNN e prometer investigação rápida.