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    Jogador brasileiro no Sudão relata medo: “Acordei com bomba e tiro”

    Paulo Sérgio, de 33 anos, está no país para jogar pelo Al-Merrikh; ele quer voltar ao Brasil, mas aeroporto está fechado

    O jogador brasileiro Paulo Sérgio Luiz de Souza, que está no Sudão
    O jogador brasileiro Paulo Sérgio Luiz de Souza, que está no Sudão Arquivo Pessoal/Divulgação

    Letícia Cassianoda CNN

    em São Paulo

    Nove brasileiros contratados pelo clube de futebol Al-Merrikh estão no Sudão, país africano que amanheceu em conflito no sábado (15). O atacante Paulo Sérgio Luiz de Souza, de 33 anos, contou à CNN que acordou com barulho de tiros e bombas nas ruas da capital, Cartum, e que o jogo programado para o dia estava cancelado.

    Paulo e alguns outros brasileiros do time sudanês estão competindo na Liga dos Campeões Africana (CAF) desde o fim de janeiro, mas só passaram a morar no país há poucos dias para jogar no campeonato local, que vai até maio.

    Segundo ele, o ambiente costuma ser tranquilo e bem diferente do cenário de guerra que tomou a cidade, e que, por hora, os planos de permanecer no país mudaram.

    “As pontes aéreas estão fechadas, assim como o aeroporto, tá um silêncio no ar, mas daqui a pouco volta a ter barulho de tiro. Estamos torcendo para situação se tranquilizar e podermos voltar (para o Brasil). […] Minha esposa e minha filha permaneceram no Rio quando vim para o Sudão. Estávamos tratando de elas virem para cá passar só uns dias por causa da escola da minha filha, mas com essa situação fica impossível”, relatou o atleta.

    Os únicos brasileiros no hotel, segundo Souza, são ele e o fisioterapeuta do clube. Os outros atletas que foram atuar no país permaneceram no bairro residencial em que foram alocados pelo clube, a 10 minutos de carro do The City Hotel.

    Paulo também contou que paramilitares estão acampados bem próximos do prédio do hotel, e que enquanto jantava com os colegas, dois rebeldes tomaram um café no restaurante.

    “É assustador. Porque você não tá no seu país, você não fala a língua e não sabe o que pode vir. Ainda mais porque estou no hotel, então se eu estivesse na minha residência com os outros brasileiros seria mais fácil. O hotel é bom, mas a gente não sabe o que tá lá fora. Não sabemos se pode ter risco de bombas, se podem entrar no hotel, o que eles podem fazer com os estrangeiros”, contou ele, que até o momento não teve recomendações de como proceder além de permanecer onde está.

    “Consegui fazer contato com algumas pessoas influentes do Brasil e nosso treinador conseguiu fazer contato com a embaixada brasileira no Egito, mas ainda não temos nenhuma instrução.”

    No momento, Paulo diz que só pensa em voltar para o Brasil assim que as pontes aéreas abrirem e o aeroporto voltar a funcionar.

    Conflito

    O governo do país colocou determinou toque de recolher após, no sábado (15), o principal grupo paramilitar do Sudão declarar ter tomado o palácio presidencial, a residência do chefe do Exército e o aeroporto internacional de Cartum, em uma aparente tentativa de golpe, mas os militares disseram estar revidando.

    As Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), que acusam o Exército de atacá-las primeiro, disseram também ter assumido o controle dos aeroportos na cidade de Merowe, no norte, e em El-Obeid, no oeste.

    As RSF acusam o Exército de planejar um complô de apoiadores do ex-presidente sudanês, Hassan al-Bashir, deposto em 2019, e de tentar um golpe.

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