Júri absolve jovem que matou dois homens a tiros em protesto racial nos EUA

Manifestantes estavam nas ruas contra a violência policial contra negros

Kyle Rittenhouse foi julgado no Tribunal do Condado de Kenosha, no estado de Wisconsin. Acusado de atirar em três e matar dois manifestantes que participavam de protesto contra o racismo, ele foi absolvido (17/11/2021)
Kyle Rittenhouse foi julgado no Tribunal do Condado de Kenosha, no estado de Wisconsin. Acusado de atirar em três e matar dois manifestantes que participavam de protesto contra o racismo, ele foi absolvido (17/11/2021) Sean Krajacic - Pool/Getty Images

Nathan Layneda Reuters

em Kenosha (EUA)

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Um júri absolveu Kyle Rittenhouse nesta sexta-feira (19) de todas as acusações relacionadas aos tiros fatais em dois homens e ferimentos de um terceiro com um rifle semiautomático durante os protestos por justiça racial de 2020 em Wisconsin, nos Estados Unidos. O tribunal entendeu que o rapaz – ele tinha 17 anos na ocasião — agiu em legítima defesa.

Um júri de 12 membros considerou Rittenhouse, 18, inocente de duas acusações de homicídio, uma acusação de tentativa de homicídio e duas acusações de colocar a segurança de forma imprudente em protestos de rua marcados por incêndio criminoso, tumulto e pilhagem em 25 de agosto de 2020 na cidade de Kenosha.

Rittenhouse começou a soluçar após o veredicto. O julgamento do jovem polarizou a América, destacando as divisões abertas na sociedade dos Estados Unidos em torno de questões contenciosas como direitos de armas.

Rittenhouse atirou e matou Joseph Rosenbaum, 36, e Anthony Huber, 26, e disparou uma bala que arrancou um pedaço do braço de Gaige Grosskreutz, 28.

Antes de chegar a seus veredictos depois de mais de três dias de deliberações, o júri acompanhou narrativas duvidosas da defesa e da acusação que ofereciam retratos muito diferentes das ações do adolescente na noite do tiroteio.

A defesa argumentou que Rittenhouse havia sido atacado repetidamente e atirou nos homens temendo por sua vida. Eles disseram que ele era um adolescente de espírito cívico que esteve em Kenosha para proteger propriedades privadas após várias noites de agitação na cidade ao sul de Milwaukee.

As manifestações aconteceram depois de a polícia atirar contra o homem negro Jacob Blake, que ficou paralisado da cintura para baixo.

Protestos contra o racismo e a brutalidade policial haviam aumentado em muitas cidades dos EUA após a morte de George Floyd pela polícia em Minneapolis, três meses antes do tiroteio em Kenosha.

A acusação, liderada pelo promotor público Thomas Binger, retratou Rittenhouse como um agressor imprudente que provocou os encontros violentos e não demonstrou remorso pelos homens que atirou com seu rifle AR-15. Também observou que ele foi o único a matar alguém naquela noite.

Transmitido ao vivo e dissecado por especialistas da TV a cabo diariamente, o julgamento se desenrolou durante um período de polarização social e política nos Estados Unidos. Os direitos sobre as armas são valorizados por muitos americanos e estão consagrados na Constituição dos EUA, mesmo quando a nação passa por um alto índice de violência armada e a fácil disponibilidade de armas de fogo.

Rittenhouse, que testemunhou que não tinha escolha a não ser abrir fogo para se proteger, é visto como heroico por alguns conservadores que defendem os direitos das armas em expansão e consideram os tiroteios justificados. Muitos na esquerda veem Rittenhouse como a personificação de uma cultura de armas americana fora de controle.

Poucos fatos básicos estavam em discussão. Em vez disso, o julgamento se concentrou em se Rittenhouse agiu razoavelmente para evitar “morte iminente ou grande dano corporal”, o requisito para o uso de força letal segundo a lei de Wisconsin.

Balas revestidas de metal

A arma de Rittenhouse estava carregada com 30 balas revestidas de metal, projetadas para penetrar no alvo. O júri viu uma série de vídeos gráficos, incluindo os momentos depois que Rittenhouse disparou quatro tiros em Rosenbaum, que estava imóvel, sangrando e gemendo. Outro vídeo mostrou Grosskreutz gritando, com sangue jorrando de seu braço.

Rittenhouse testemunhou em sua própria defesa na última quarta-feira (17), no momento mais dramático do julgamento — uma decisão arriscada de seus advogados, dada sua juventude e a perspectiva de um duro interrogatório na promotoria.

Ele começou a soluçar, mas enfatizou que atirou nos homens somente após ser atacado. “Fiz o que tinha que fazer para parar a pessoa que estava me atacando”, disse.

Rittenhouse testemunhou que atirou em Rosenbaum depois que o homem o perseguiu e agarrou sua arma.

Também testemunhou que atirou em Huber depois que ele o atingiu com um skate e puxou sua arma. Ele disse que atirou em Grosskreutz depois que o homem apontou a pistola que carregava para o adolescente — uma afirmação que Grosskreutz reconheceu sob interrogatório da defesa.

 

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