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    Líder conservador francês defende acordo com extrema direita em grande reviravolta

    Partido de Marine Le Pen deve surgir como principal força da França após Macron convocar eleição legislativa antecipada

    Eric Ciotti em votação
    Eric Ciotti em votação Instagram/Reprodução

    Elizabeth PineauTassilo Hummelda Reuters

    em Paris

    O líder do partido conservador francês Os Republicanos (LR, na sigla em francês) pediu uma aliança entre os candidatos de seu grupo e o Reunião Nacional (RN), de Marine Le Pen, em uma eleição parlamentar antecipada – uma reviravolta política que terá amplas repercussões.

    “Dizemos as mesmas coisas, então vamos parar de criar uma oposição imaginária”, disse Eric Ciotti à emissora TF1. “É isso que a grande maioria dos nossos eleitores quer. Eles nos dizem ‘cheguem a um acordo’.”

    Espera-se que o RN, um partido de extrema direita, anti-imigração e eurocético, surja como a principal força da França depois que o presidente Emmanuel Macron convocou uma eleição para 30 de junho e 7 de julho, embora possa ficar aquém de uma maioria absoluta.

    Portanto, o RN está em busca de aliados para garantir o controle do Parlamento e exaltou imediatamente o comentário de Ciotti. Mas isso, por sua vez, significa que o LR deve implodir.

    As declarações de Ciotti também significaram que um consenso de décadas no establishment político da França de unir forças para manter a extrema direita longe do poder está desaparecendo.

    Os Republicanos e suas versões anteriores – todos herdeiros dos partidos de Charles de Gaulle e Jacques Chirac – estiveram no poder durante grande parte da história política moderna da França.

    Mas o LR é uma sombra do que já foi, com muito menos parlamentares, e já havia perdido membros importantes para o partido centrista de Macron e para a extrema direita.

    Outros partidos tradicionais à esquerda e à direita também se enfraqueceram desde que Macron foi eleito presidente pela primeira vez em 2017 em uma plataforma centrista com um partido emergente que desejava remodelar o cenário político da França.

    Philippe Gosselin, um parlamentar do LR, disse à Reuters que deixará o partido por conta dos comentários de Ciotti e que membros do LR criarão um novo grupo.

    “É impensável para mim (e para muitos deputados do LR) que possa haver o menor acordo, a menor aliança, mesmo que local ou pessoal, com o RN”, disse Gosselin.

    Outros veteranos do LR se alinharam para rejeitar qualquer acordo com a extrema-direita. Uma fonte parlamentar do partido estimou que apenas cerca de um sexto dos parlamentares aceitaria tal acordo.

    Olivier Marleix, que lidera o grupo do LR na câmara baixa do Parlamento, disse no X: “O que Eric Ciotti está dizendo é válido apenas para ele mesmo, ele deve deixar a liderança dos Republicanos.”

    O grupo de Macron não demorou a dizer que os comentários de Ciotti eram vergonhosos e, de acordo com o ministro do Interior, Gérald Darmanin, ex-membro do LR, lembravam os acordos de Munique de 1938 assinados pela França e pelo Reino Unido com a Alemanha nazista.

    Enquanto isso, os partidos de esquerda prometeram trabalhar juntos e nomear candidatos conjuntos na eleição, mas ainda não chegaram a um acordo formal.

    Em um comunicado conjunto na segunda-feira, os socialistas, os verdes, os comunistas e os membros do partido França Insubmissa prometeram “apresentar uma alternativa a Emmanuel Macron e lutar contra o projeto racista da extrema-direita”.

    Embora o resultado da votação seja difícil de prever, uma vitória não parece estar ao alcance da esquerda. No entanto, eles podem ter a esperança de influenciar quem será nomeado primeiro-ministro.