Líder do Estado Islâmico morto era figura-chave no tráfico de mulheres, diz ONG

Comissão para Justiça e Responsabilidade Internacional (CIJA) aponta sua potencial responsabilidade criminal por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio

Jomana Karadshe, da CNN
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A Comissão para Justiça e Responsabilidade Internacional (CIJA) disse em comunicado nesta quinta-feira (3) que está investigando o líder do ISIS Abu Ibrahim al-Hashimi al-Qurayshi, também conhecido como "Hajji Abdullah", desde 2015 e tem evidências de que ele estava fortemente envolvido no comércio escravo de mulheres do grupo religioso minoritário do Iraque, os Yazidi.

Ele foi morto na quarta-feira em um ataque de contraterrorismo dos EUA no noroeste da Síria, anunciou o presidente Joe Biden na manhã de quinta-feira.

A organização não-governamental diz que suas investigações na Síria e no Iraque mostraram sua potencial responsabilidade criminal por crimes de guerra, crimes contra a humanidade, genocídio e outros crimes, como tráfico de pessoas.

A CIJA relata que Abdullah serviu como juiz sênior do ISIS e oficial da lei Sharia no Iraque a partir de 2014, exercendo autoridade religiosa sobre todas as atividades do ISIS naquele país. De acordo com Nerma Jelacic, vice-diretor da CIJA, “Hajji Abdullah tinha um enorme poder para perseguir e punir os inimigos do EI desde 2014. Ele não foi apenas um dos principais arquitetos do tráfico de escravos do Estado Islâmico em mulheres e crianças yazidis, como também escravizou e estuprou pessoalmente mulheres cativas”.

A CIJA disse que Hajji Abdullah era responsável por todos os prisioneiros yazidis mantidos no Iraque depois de terem sido capturados durante a operação militar Sinjar do ISIS em agosto de 2014. Ele supervisionou a distribuição de mulheres yazidis, juntamente com crianças pequenas, para membros do ISIS como sabaya (espólio feminino de guerra).

A CIJA diz que ele também foi responsável pelas conversões forçadas daqueles considerados infiéis ao Islã e pelo massacre de centenas de homens e meninos yazidis.

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