Líder supremo do Irã alerta políticos dos EUA: "Parem com a enganação"

Ali Khamenei também agradeceu aos iranianos que participaram dos protestos pró-regime desta segunda-feira

Mohammed Tawfeeq, da CNN
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O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, alertou os políticos americanos para que "parem com a enganação" e não confiem no que chamou de "mercenários traiçoeiros".

A declaração foi dada em um comunicado divulgado, nesta segunda-feira (12), pela emissora estatal iraniana, a IRIB (Rádio e Televisão da República Islâmica do Irã).

Khamenei também agradeceu aos iranianos que participaram dos protestos pró-regime desta segunda-feira, afirmando que as manifestações frustraram planos externos contra o país.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, atribuiu no domingo (11) a instabilidade em seu país a "terroristas" ligados ao exterior, acusando os manifestantes de incendiar bazares, mesquitas e sítios culturais.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse nesta segunda-feira (12) que o Irã está "preparado para a guerra", mas também "pronto para negociações", enquanto o presidente americano Donald Trump avalia possíveis respostas à violenta repressão aos protestos que representam um dos maiores desafios ao regime clerical desde a Revolução Islâmica de 1979.

Trump afirmou no domingo (11) que os EUA podem se reunir com autoridades iranianas e que está em contato com a oposição, ao mesmo tempo em que aumenta a pressão sobre os líderes iranianos, inclusive ameaçando com uma possível ação militar em resposta à violência contra os manifestantes.

As autoridades iranianas acusaram os EUA e Israel de fomentarem distúrbios e convocaram uma manifestação nacional para esta segunda-feira (12) para condenar "ações terroristas lideradas pelos Estados Unidos e Israel", informou a mídia estatal.

Araqchi afirmou que a situação no Irã estava "sob controle total" após o aumento da violência ligada aos protestos durante o fim de semana.

Ele disse que a advertência de Trump contra Teerã, de que tomaria medidas caso os protestos se tornassem violentos, motivou o que ele chamou de terroristas a atacar manifestantes e forças de segurança, com o objetivo de provocar uma intervenção estrangeira.

Os iranianos têm demonstrado um ressentimento crescente em relação à poderosa Guarda Revolucionária, cujos interesses comerciais, incluindo petróleo e gás, construção civil e telecomunicações, valem bilhões de dólares.

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