Não buscamos a guerra, mas estamos preparados, diz autoridade do Irã

Segundo apuração de Américo Martins, ao Bastidores CNN, o ministro das Relações Exteriores iraniano declarou que o país não busca conflito, mas está pronto para resistir

Da CNN Brasil
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O Irã afirmou estar preparado para um possível conflito armado com os Estados Unidos, mas também se mostrou aberto a negociações diplomáticas em meio à crescente tensão entre os dois países. A apuração é de Américo Martins, ao Bastidores CNN.

"O governo do Irã fez uma declaração de que o país estaria preparado para a guerra em uma resposta às pressões dos americanos, que ameaçam atacar pontos do Irã, como disse o prõprio presidente Trump, mas, o ministro também disse que existe espaço para o diálogo", apontou Martins sobre declaração feita pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.

A situação no país persa tem se agravado nas últimas semanas, com manifestações populares sendo duramente reprimidas pelas autoridades. Segundo relatos, centenas de pessoas teriam sido mortas e presas durante os protestos, embora seja difícil confirmar os números exatos devido às restrições de informação impostas pelo regime.

"Essa situação do Irã está começando a sair do controle das próprias autoridades iranianas", disse Martins: "Com elevado número de pessoas sendo mortas, reprimidas e também presas, embora seja impossível confirmar os números".

As manifestações, que começaram com reivindicações econômicas, rapidamente evoluíram para protestos políticos contra o regime dos aiatolás. Os manifestantes têm protestado contra o alto custo de vida, a inflação elevada e a desvalorização da moeda nacional, mas também pedem o fim da ditadura que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979.

Ameaças americanas e postura iraniana

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem ameaçado realizar ataques contra pontos estratégicos do Irã caso a repressão aos manifestantes continue. "O Irã tenta por um lado resistir a essa possibilidade de ataques dos Estados Unidos, mas, também deu mostras de que poderia dialogar com Washington", afirmou o analista.

Apesar da aparente abertura para conversações, analistas apontam que não está claro quais seriam os termos de uma possível negociação entre Washington e Teerã. O regime iraniano acusa agentes ligados aos Estados Unidos e a Israel de tentarem ampliar os protestos para desestabilizar o governo.

"O problema é que não está claro quais seriam os termos de uma negociação entre os Estados Unidos e o Irã. Essas são revoltas populares que acontecem de tempos em tempos no Irã, sempre são reprimidas com mão de ferro pela ditadura", refletiu Américo Martins, explicando: "Esses são protestos pela queda do regime, são protestos para mudanças na economia, porque o custo de vida é muito alto [...] Está se transformando cada vez mais em um protesto político e não haveria algum tipo de negociação a ser feito com o presidente Donald Trump que resolvesse essa questão".

"Trump pode fazer algum tipo de negociação com os aiatolás, por exemplo, em troca do petróleo iraniano, mas, isso não vai resolver a questão dos manifestantes", apontou.

O Irã enfrenta um momento de fragilidade política e econômica, agravado pelos conflitos no Oriente Médio que alteraram a posição do país na região. Apesar das sanções internacionais e do isolamento diplomático que o país enfrenta há décadas, o regime dos aiatolás tem demonstrado resistência e capacidade de sobrevivência em situações adversas.

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