Líderes de partidos italianos veem chance de presidente ser eleito na sexta-feira

Esta será a quinta tentativa de eleger o novo presidente, cargo poderoso no país europeu

Funcionários carregam urnas durante eleição para presidente da Itália no Parlamento do país em Roma
Funcionários carregam urnas durante eleição para presidente da Itália no Parlamento do país em Roma 26/01/2022 Alberto Pizzoli/Pool via REUTERS

Angelo AmanteCrispian BalmerGavin Jonesda Reuters

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O parlamento da Itália fará uma quinta tentativa de eleger um novo presidente na sexta-feira (28), com os chefes dos partidos aparentando estarem mais confiantes em encontrar um candidato mutuamente aceitável para o poderoso cargo.

O primeiro-ministro Mario Draghi continua sendo um candidato, mas suas perspectivas de vitória diminuíram nesta semana, com muitos legisladores claramente relutantes em apoiá-lo, em parte porque temem que qualquer mudança no governo possa desencadear eleições antecipadas.

Muito está em jogo. A presidência italiana tem mandato de sete anos e poder considerável para resolver crises políticas que atingem regularmente o país, incluindo a nomeação de primeiros-ministros e a dissolução do parlamento.

Matteo Salvini, líder da Liga direitista, disse a repórteres que, antes da votação de sexta-feira, ele faria proporia aos partidos de centro-esquerda várias figuras não partidárias de alto perfil com apelo nacional e internacional.

“Estou confiante de que amanhã será o dia da vitória”, disse.

O ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, que lidera o partido centrista Itália Viva, também disse esperar que um presidente seja eleito na sexta-feira.

Embora as esperanças de Draghi tenham diminuído um pouco, parece haver uma possibilidade crescente de Sergio Mattarella ser eleito para outro mandato, embora o presidente, que tem 80 anos, tenha descartado isso até agora.

Nem os grupos de centro-direita nem de centro-esquerda apresentaram nomes para a votação desta quinta-feira (27) – a quarta desta semana – depois que vários partidos derrubaram uma série de possíveis candidatos, abrindo caminho para intensas negociações nos bastidores.

Ao contrário dos Estados Unidos ou da França, onde os presidentes são eleitos por voto popular, na Itália, cerca de 1.009 parlamentares e representantes regionais escolhem o chefe de Estado em votação secreta, a qual, às vezes, os líderes partidários têm dificuldade de controlar.

Algum tipo de compromisso parece necessário no parlamento fragmentado, onde nenhum dos principais blocos tem maioria.

Vista do Parlamento da Itália em Roma / 26/04/2021 Alberto Pizzoli/Pool via REUTERS

Dois membros do governo disseram à Reuters nesta quinta-feira que a reeleição de Mattarella era uma forte possibilidade.

Embora os principais chefes do partido tenham instruído seus legisladores a se absterem ou votarem em branco na votação de hoje, Mattarella ainda obteve 166 votos, mais do que qualquer outro pelo segundo dia consecutivo, embora bem abaixo dos 505 necessários.

Além de Draghi e Mattarella, os candidatos citados para o cargo incluem Elisabetta Belloni, diplomata de carreira que chefia os serviços secretos, e Sabino Cassese, um ex-juiz do Tribunal Constitucional, de 86 anos.

Outros possíveis candidatos divulgados na mídia incluem o ex-presidente da câmara baixa Pier Ferdinando Casini, o ex-primeiro-ministro Giuliano Amato, a presidente do Senado, Elisabetta Casellati, e a ministra da Justiça, Marta Cartabia, que anteriormente presidiu o Tribunal Constitucional.

*reportagem adicional de Giuseppe Fonte e Giulia Segreti

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