Macron nomeia Jean Castex como premiê da França

Édouard Philippe renunciou ao cargo após uma esperada remodelação do governo de Macron

Jean Castex, novo premiê da França
Jean Castex, novo premiê da França Foto: Reprodução - 09.jan.2020 / Reuters

Da CNN, em São Paulo

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O presidente da França, Emmanuel Macron, nomeou Jean Castex para o cargo de primeiro-ministro, após a saída de Édouard Philippe, na manhã desta sexta-feira (3).

Castex, de 55 anos, é prefeito de Prades, cidade no sudoeste da França, e responsável por orquestrar a estratégia para o país sair do lockdown (bloqueio total) – imposto em razão da pandemia do novo coronavírus. Ele ficará encarregado de formar o próximo governo, disse o Palácio do Eliseu (sede do governo francês) em um breve comunicado.

A decisão de Philippe de renunciar ao cargo surge em meio a uma remodelação do governo de Macron, destinada a reconquistar os eleitores desiludidos antes de uma possível candidatura à reeleição.

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Político de centro-direita, Castex atuou dois anos como o número 2 do governo francês durante a presidência de Nicolas Sarkozy, e coordenou a estratégia do país para sediar a Olimpíada de 2024.

Um funcionário do Eliseu descreveu o novo premiê como alguém cuja experiência em política local ajudaria Macron a se conectar com a França provincial. Quando estava no governo, era um “gaullista social”, disse a fonte, em referência à ala mais intervencionista e de centro-direita do país.

Macron está remodelando seu governo num momento em que a França enfrenta sua maior depressão econômica desde a Segunda Guerra Mundial, uma desaceleração acentuada que vai encolher a economia em cerca de 11% neste ano.

Investidores estão atentos para ver se o ministro das Finanças, Bruno Le Maire, que supervisionou reformas para liberalizar a economia e gastou muito dinheiro para manter empresas como Air France e Renault a todo vapor durante a crise, conseguirá manter seu emprego.

“A volta das férias de verão será difícil, precisamos nos preparar”, disse Macron a jornais locais nessa quinta-feira (2). O presidente e Édouard Philippe jantaram juntos na quarta (1º) e se reuniram ontem. Uma fonte no Palácio do Eliseu afirmou que a conversa foi calorosa e amigável. Os dois concordaram sobre “a necessidade de um novo governo para incorporar a próxima fase, um novo caminho”.

Recomeço

Em junho, Macron anunciou que queria recomeçar, enquanto a França tenta se recuperar da crise causada pela pandemia do novo coronavírus. Contudo, o partido dele teve um desempenho terrível nas eleições municipais de 28 de junho, que revelaram um apoio crescente da população ao Partido Verde e ressaltaram os problemas de Macron ao tentar se conectar com as pessoas comuns.

O partido do presidente, República em Marcha, falhou em conquistar uma grande cidade sequer, impedindo-o de manter uma base de poder local antes das eleições presidenciais de 2022.

A maior vitória do mandatário foi o sucesso de Philippe em seu antigo reduto de Le Havre. A renúncia abre caminho para ele se tornar prefeito da região, de onde pode emergir como um rival de Macron daqui dois anos.

Para analistas, Macron está se arriscando ao substituir Philippe, que é mais popular do que o próprio presidente. Mas mantê-lo no cargo poderia sugerir que Macron é muito fraco para deixar o premiê ir embora e seu partido carecia de profundidade para uma revisão completa do gabinete.

(Com Reuters)

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