Macron reconduz Sébastien Lecornu ao cargo de primeiro-ministro da França
Premiê, que havia deixado o cargo nesta semana, aceitou a nomeação
O presidente da França, Emmanuel Macron, renomeou Sébastien Lecornu como primeiro-ministro nesta sexta-feira (10) e o encarregou de formar um novo gabinete, informou um comunicado do governo.
Lecornu, que havia deixado o cargo nesta semana, aceitou a nomeação.
A tarefa imediata do premiê será entregar um plano de Orçamento ao Parlamento até o final de segunda-feira (13).
"Aceito — por dever — a missão que me foi confiada pelo Presidente da República de fazer todo o possível para dotar a França de um orçamento até o final do ano e resolver os problemas da vida cotidiana de nossos concidadãos", escreveu Lecornu no X.
"Precisamos pôr fim a esta crise política que exaspera o povo francês e a esta instabilidade que é prejudicial à imagem e aos interesses da França", adicionou.
J’accepte - par devoir - la mission qui m’est confiée par le Président de la République de tout faire pour donner un budget à la France pour la fin de l’année et de répondre aux problèmes de la vie quotidienne de nos compatriotes.
Il faut mettre un terme à cette crise politique…
— Sébastien Lecornu (@SebLecornu) October 10, 2025
Ao nomear Lecornu, Macron corre o risco de provocar a ira de seus rivais políticos, que argumentam que a melhor saída para a crise política seria realizar eleições parlamentares antecipadas ou renunciar.
Crise política na França
A turbulência política na França foi desencadeada em grande parte pela decisão de Macron, no ano passado, de realizar eleições legislativas, uma aposta que resultou em um Parlamento dividido entre três blocos ideologicamente opostos.
A pressão do país para colocar as finanças em ordem, exigindo cortes orçamentários ou aumentos de impostos com os quais nenhum partido consegue concordar, só agravou o mal-estar.
A mesma coisa aconteceu com as manobras de líderes políticos que buscam suceder Macron nas eleições presidenciais de 2027.
Se a Assembleia Nacional não conseguir chegar a um consenso sobre um Orçamento no prazo estipulado, uma legislação de emergência poderá ser necessária para manter o país funcionando no próximo ano.
Macron reuniu partidos antes de escolha
O presidente da França havia convocado uma reunião com os principais líderes partidários para angariar apoio em torno de sua escolha.
Líderes de esquerda expressaram consternação com a possibilidade de Macron não escolher um primeiro-ministro do bloco. Isso sugere que seu futuro governo poderia ser tão frágil quanto os que o precederam.
Um novo colapso de governo aumentaria a probabilidade de o presidente convocar eleições antecipadas, um cenário que poderia beneficiar mais a extrema direita.
"Não queremos a dissolução do parlamento, mas também não temos medo", disse o líder do Partido Socialista, Olivier Faure, a repórteres ao deixar a reunião.
Macron excluiu o partido de ultradireita RN (Reagrupamento Nacional), de Marine Le Pen, e o partido de extrema esquerda França Insubmissa, da reunião de líderes partidários.
Jordan Bardella, do RN, disse que a estratégia do presidente era evitar uma eleição legislativa em vez de defender os interesses do povo francês.
"O RN se sente honrada por não ter sido convidada. Não estamos à venda para aqueles que apoiam Macron", escreveu Bardella no X.


