Moradores da capital da Lituânia recebem cartas enviadas há 50 anos

Correspondências da época da União Soviética estavam presas em duto de ventilação de antigo correio; funcionários se esforçam para encontrar destinatários

Andrius Sytasda Reuters

em Vilnius, Lituânia

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Uma carta escrita para uma menina de 12 anos na Lituânia foi entregue em dezembro, quase 51 anos depois de ser enviada por uma amiga por correspondência na Polônia.

“Achei que alguém estava me pregando uma peça”, disse Genovefa Klonovska após receber a carta, que incluía uma rosa colorida feita à mão e duas bonecas de papel.

A carta, juntamente com outras 17, caiu de um duto de ventilação neste verão, suja e se desfazendo, quando um muro foi demolido em um antigo correio nos arredores de Vilnius.

“Os trabalhadores sugeriram que jogássemos fora as cartas antigas, mas liguei para os correios“, disse Jurgis Vilutis, proprietário do prédio. “Estou tão feliz que eles se interessaram”.

Genowefa Klonovska lê carta que deveria ter recebido há 51 anos. Amiga por correspondência reclamava que ônibus não chegavam em seu vilarejo. / Reuters

As cartas, do final dos anos 1960 e início dos anos 1970, provavelmente foram escondidas por um funcionário dos correios sem escrúpulos depois que ele as revistou em busca de dinheiro ou objetos de valor, disse Vilutis.

A Lituânia fazia parte da União Soviética na época, e os remetentes eram parentes emigrantes ou amigos por correspondência de lugares como Austrália, Polônia ou Rússia.

Os nomes das ruas e sua numeração mudaram em Vilnius, capital do país, e os funcionários dos correios passaram meses procurando as casas certas e conversando com os atuais inquilinos e vizinhos, rastreando para onde os destinatários se mudaram.

Apenas cinco destinatários foram encontrados. Em vários casos, filhos de destinatários falecidos receberam uma carta perdida.

“Sentimos um dever moral de fazer isso”, disse Deimante Zebrauskaite, chefe do departamento de experiência do cliente da Lituânia Post.

“Uma senhora comparou a experiência a receber uma mensagem de uma garrafa jogada ao mar. As pessoas se emocionaram. Algumas sentiram que viram parte do cotidiano de seus pais falecidos”, disse Zebrauskaite.

Na carta para Klonovska, enviada de Koczary na Polônia e carimbada em 1970, uma garota chamada Ewa reclama que os ônibus não chegam mais à sua aldeia, então ela tem que andar no frio de -23ºC, e pede fotos de atores.

Agora com 60 anos, Klonovska não se lembra de Ewa. Ela provavelmente escreveu para Ewa depois de encontrar seu endereço publicado para amigos por correspondência em um jornal, e o relacionamento cessou depois que a carta não foi entregue.

“Tão bom que a carta foi inconsequente. A perda não dela não teve impactos”, disse Klonovska. “E se eles entregassem uma carta perdida de um pretendente amoroso, e o casamento deles nunca acontecesse?”, completou.

Veja imagens do fim da União Soviética

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