Mortes por arma de fogo nos EUA crescem 9% e devem bater recorde em 2021

Em 2020, vendas de armas no país aumentaram 65% e cerca de 8 milhões de norte-americanos compraram uma pela primeira vez

Protestos pela morte de George Floyd: especialistas ligam incidente ao aumento da violência
Protestos pela morte de George Floyd: especialistas ligam incidente ao aumento da violência Foto: Eric Miller - 27.mai.2020 / Reuters

Holmes Lybrandda CNN

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Até aqui, 2021 caminha para ser o pior ano em mortes por armas de fogo em décadas nos Estados Unidos, ultrapassando até mesmo os altos níveis do ano passado.

De acordo com o observatório Gun Violence Archive (GVA), de 1º de janeiro a 15 de setembro, um total de 14.516 pessoas morreram em decorrência da violência armada no país. É 1.300 mais que no mesmo período em 2020, um aumento de 9%.

Os tiroteios em massa também estão aumentando. Até 15 de setembro, foram 498, ou uma média de 1,92 por dia, 15% mais que no ano passado. Em 2020, foram 611 tiroteios no ano inteiro e uma taxa de 1,67 por dia, segundo dados do GVA.

A CNN e a GVA definem como tiroteio em massa os incidentes com quatro ou mais pessoas mortas ou feridas por tiros, excluindo o atirador.

O rápido aumento da violência armada, no entanto, pode estar diminuindo.

Richard Rosenfeld, professor de criminologia da Universidade de Missouri, e seus colegas descobriram que no primeiro trimestre de 2021 o número de homicídios foi 23% maior do que em 2020. No segundo trimestre, esse aumento caiu para 10%.

Rosenfeld disse à CNN que muitos fatores podem estar levando ao aumento na violência armada, incluindo a pandemia e também o conflito racial estimulado pelo assassinato de George Floyd no ano passado, junto ao efeito que ambos tiveram sobre o policiamento nos Estados Unidos.

“Imediatamente depois que George Floyd foi assassinado e protestos generalizados estouraram em todo o país, vimos em várias cidades um aumento muito, muito grande” nos homicídios, disse Rosenfeld.

Ele conta que o padrão é semelhante ao que aconteceu depois da morte de Michael Brown, em 2014, por um policial em Ferguson, no Missouri.

“O que estamos vendo agora é exatamente o que aconteceu depois do incidente em Ferguson e do surgimento de protestos em todo o país”, disse o pesquisador.

“Houve um aumento considerável nos homicídios nas grandes cidades, e esse aumento persistiu, dependendo da cidade, por um ano, em alguns casos um pouco mais.”

Mortes crescem com vendas de armas

Enquanto as mortes por arma de fogo continuam a aumentar, crescem também as vendas de armas e a falta de munições.

No ano passado, os americanos compraram um número recorde de 23 milhões de armas de fogo – um aumento de 65% em relação a 2019, de acordo com a Small Arms Analytics (Saaf), uma empresa de consultoria com sede na Carolina do Sul.

A National Shooting Sports Foundation estima que, entre aqueles que compraram armas em 2020, 8,4 milhões estavam comprando a sua pela primeira vez.

No início de 2021, as vendas de armas continuaram crescendo, com 2,2 milhões de unidades vendidas em janeiro, de acordo com a Saaf, mas começaram a cair na maior parte dos meses seguintes na comparação com 2020.

Em agosto, a queda é de 25% em relação ao mesmo mês do ano passado, mas o número de vendas ainda está muito acima “de qualquer ano, exceto 2020”, de acordo com o economista-chefe da SAAF, Jurgen Brauer.

Seja por conta de interrupções na fabricação durante a pandemia, pela chegada de novos proprietários de armas, pelo aumento no número de caçadores ou por uma série de outros fatores, tem também faltado munição desde 2020 – até mesmo a polícia já emitiu alertas pedindo para que a munição seja reservada.

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