Na Hungria, papa Francisco pede vigilância contra aumento do antissemitismo

Líder da igreja católica diz que para combater ameaça é preciso 'trabalhar junto, positivamente, e promover a fraternidade'

Papa Francisco durante audiência geral semanal no Vaticano
Papa Francisco durante audiência geral semanal no Vaticano Guglielmo Mangiapane - 11.ago.2021 /Reuters

Gergely Szakacsda Reuters

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O papa Francisco pediu neste domingo (12) vigilância contra o aumento do antissemitismo durante breve viagem à Hungria e disse que este é um “estopim que não deve queimar”.

O papa chegou à Hungria na manhã de domingo para uma visita excepcionalmente curta, sublinhando suas diferenças com o primeiro-ministro nacionalista e anti-imigrante, Viktor Orban.

Mais de meio milhão de judeus húngaros foram mortos no Holocausto, que destruiu uma cultura outrora vibrante em todo o país.

Hoje, existem entre 75.000 a 100.000 judeus na Hungria, o maior número na Europa Central, de acordo com o Congresso Judaico Mundial, com a maioria deles em Budapeste.

“Penso na ameaça do antissemitismo ainda à espreita na Europa e em outros lugares”, disse o papa em um encontro ecumênico em Budapeste com líderes de outras religiões cristãs e com judeus.

“Este é um estopim que não deve queimar. E a melhor maneira de desarmá-lo é trabalharmos juntos, positivamente, e promovermos a fraternidade”, disse ele.

Uma pesquisa do think tank Median encomendada pela Mazsihisz, a Federação das Comunidades Judaicas da Hungria, descobriu que um em cada cinco húngaros era fortemente antissemita, enquanto outros 16% eram o que a pesquisa chamou de “moderadamente antissemita”.

A pesquisa, publicada em julho e realizada durante 2019 e 2020, disse que houve menos atos antissemitas como vandalismo e agressão física na Hungria em comparação com outros países europeus.

Em seu discurso, o papa evocou a imagem da famosa Ponte das Correntes sobre o rio Danúbio, ligando as duas metades da capital húngara, Buda e Peste.

“Sempre que éramos tentados a absorver o outro, estávamos demolindo em vez de construir. Ou quando tentávamos ‘guetizar’ os outros em vez de incluí-los”, disse o papa. “Devemos estar vigilantes e orar para que isso não aconteça novamente.”

Ele disse que os líderes cristãos devem se comprometer com o que chama de educação em fraternidade para resistir a levantes de ódio.

Orban, no poder desde 2010, causou preocupações na comunidade judaica da Hungria quando, vários anos atrás, usou uma imagem do financista norte-americano George Soros, que é judeu, em uma campanha anti-imigração em um outdoor.

Em maio, Orban disse a repórteres que as acusações de antissemitismo contra ele eram “ridículas”, acrescentando que a Hungria era “um país mais do que justo e correto a esse respeito”.

Orban também disse que os judeus deveriam se sentir seguros sob seu governo e que a Hungria mostraria “tolerância zero” ao antissemitismo.

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