"Não há comida aqui": Migrantes deixam Ceuta após confusão na fronteira

Cerca de 50 mil pessoas entrararam pelo Marrocos em território espanhol nos últimos dias; cerca de 48 mil já voltaram, segundo autoridades

Reuters
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Migrantes continuaram a deixar o território espanhol de Ceuta de volta para Marrocos neste domingo (2). Eles foram acompanhados por forças de segurança até a passagem de fronteira de El Tarajal.

"Não há comida aqui, não há ninguém aqui. Estamos todos indo embora", afirmou Jalall Hdir, 29, um dos migrantes.

Os marroquinos também relataram abusos. Karim Amagar, 30, citou a falta de comida, de médicos e de lugares para dormir. "Fomos abusados ​​em Ceuta. Agora só quero voltar para o meu país", afirmou.

Mohsen Saif Al-Ittiha contou que viveu "momentos difíceis" desde que chegou ao enclave espanhol. "Eles nos espancaram e apontaram armas para nós. Nosso Marrocos é melhor", declarou.

A Espanha informou que a entrada de migrantes em seu enclave norte-africano de Ceuta foi interrompida durante a noite, enquanto a polícia começou a instalar uma barreira flutuante de 500 metros ainda no sábado (1º) na fronteira com Marrocos, após uma debandada que matou pelo menos 67 pessoas.

Um vídeo da Reuters divulgado no domingo mostrou alguns migrantes ainda chegando pelo mar, apesar das novas medidas de controle.

Segundo as autoridades espanholas, cerca de 50 mil pessoas entraram em Ceuta por terra e mar desde quinta-feira, num fluxo sem precedentes numa das únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África. Mais de 48 mil delas regressaram a Marrocos em 48 horas, informou a Espanha.

No sábado, a Guarda Civil instalou uma nova barreira flutuante no quebra-mar de Tarajal, um dos principais pontos de entrada para o pequeno território espanhol.

A barreira pneumática, juntamente com uma linha de bóias navais ancoradas, foi projetada para ficar de 30 a 70 centímetros acima da água e se estender até um metro abaixo da superfície, acrescentou, enquanto um canal entre as barreiras permitirá que embarcações da Guarda Civil patrulhem a área.

A travessia em massa gerou alarme em toda a União Europeia, e 22 Estados-membros escreveram uma carta solicitando ações coordenadas para proteger as fronteiras externas e outras medidas.

Líder da ultradireita da Espanha chama migrantes em Ceuta de "invasores"

Santiago Abascal, líder do partido de ultradireita espanhol Vox, visitou Ceuta neste domingo após a chegada em massa de migrantes.

"Estamos enfrentando uma invasão, e é assim que ela deve ser chamada", disse Abascal a repórteres.

O primeiro-ministro espanhol de centro-esquerda, Pedro Sánchez, criticou a decisão da Itália, tomada na sexta-feira (31) de suspender por um mês os acordos de viagem sem passaporte do Espaço Schengen com Madri.

"Entendo por que a Itália e outros países dizem querer fechar suas fronteiras", disse Abascal.