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    Não quero voltar nem para pegar minhas coisas, diz brasileira que fugiu da Ucrânia

    À CNN Rádio, a jogadora Gabriela Zidoi, do Kryvbas, explicou que conseguiu fugir da guerra em um trem lotado

    Trem sai de Kiev em direção à Polônia
    Trem sai de Kiev em direção à Polônia Reprodução/CNNBrasil/26.fev.2022

    Amanda GarciaBel Camposda CNN

    “Nem para buscar minhas coisas eu quero voltar para a Ucrânia”, afirmou a jogadora de futebol Gabriela Zidoi, do time ucraniano Kryvbas, em entrevista à CNN Rádio nesta quinta-feira (10).

    Após longa viagem, que envolveu 21 horas em um trem e ajuda de uma ONG para chegar até a Polônia, ela conseguiu deixar o país em meio à guerra.

    Agora, ela está em Portugal, onde os pais moram, e não pensa em retornar para o território ucraniano. A expectativa dela é de fechar contrato com um time português nos próximos dias e já voltar a treinar.

    A saída da zona de conflito, segundo Gabriela, envolveu pegar, ao lado de companheiras de equipe, apenas uma mochila abastecida com comida e água.

    “Não foram momentos fáceis. Embora nossa cidade não tenha sido muito atacada, tivemos bombardeios à base militar, ao lado do hotel onde estávamos. A gente sentia [o efeito das explosões] no quarto, não desejo para ninguém. As pessoas começaram a gritar e chorar”, relatou.

    A jogadora conta que houve “empurra-empurra” na estação de trem rumo à cidade de Lviv, na fronteira com a Polônia. Foram necessárias duas tentativas para finalmente conseguir embarcar.

    “O trem parava e não tinha preferência, era quem estava próximo à porta, tinha que dar sorte, era como se estivesse numa multidão de show, muito difícil de passar. Quando entra, dá um alívio”, acrescentou.

    Em um vagão para quatro pessoas, havia 17: “A gente dava prioridade para as crianças tentarem dormir, tinha gente sentada no chão do corredor, foram de 19 a 21 horas assim”.

    Chegando a Lviv, ela teve ajuda da embaixada brasileira e de voluntários da Frente BrazUcra para cruzar a fronteira da Polônia.

    A sensação, ao deixar a Ucrânia, foi de alívio: “A gente pensava ‘graças a Deus conseguimos sair’, nossos familiares estavam preocupados, então foi um alívio muito grande.”

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