Não vejo saída fácil e não violenta para situação no Irã, diz professora

Em entrevista ao Hora H, Karina Calandrin, especialista em Relações Internacionais, analisa a situação do país em meio a protestos e repressão do regime

Da CNN Brasil
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O regime iraniano não demonstra sinais de que irá ceder às manifestações populares que tomam o país, segundo avaliação da professora de Relações Internacionais do Ibmec-SP, Karina Calandrin, em entrevista ao Hora H.

"Eu também não vejo uma saída que seja fácil e que não seja violenta. Por quê? O regime não parece que irá ceder. Nós vemos o número de mortos aumentando, ainda que não tenhamos um número confirmado desses mortos por conta do apagão que o Irã tem enfrentado de internet e de comunicações", explicou Calandrin.

A professora destacou que o regime já declarou que não pretende se reformar ou ouvir os manifestantes com algum tipo de abertura. "O que eles estão apostando é no confronto. Mesmo ligações telefônicas que foram cortadas pelo regime", afirmou.

Intervenção externa e possível escalada do conflito

Calandrin também analisou o cenário de uma possível intervenção externa, alertando que isso poderia levar a uma escalada ainda maior do conflito. "Do outro lado, nós vemos uma possível intervenção norte-americana, que também não será pacífica. Donald Trump já anunciou uma tarifa de 25% para aumentar as sanções que o Irã já recebe", observou.

Segundo a especialista, as sanções tendem a piorar a situação econômica iraniana, que foi a causa inicial das manifestações. "Uma intervenção militar parece ser o próximo passo, o que deve levar a uma guerra, a um conflito ainda maior. Vamos lembrar que o Irã é uma potência militar forte na região, diferente de outros países nos quais os Estados Unidos já fizeram intervenções", alertou.

O papel de Rússia e China

Sobre o posicionamento de potências como Rússia e China, tradicionais aliadas do Irã, Calandrin explicou que há uma mudança na postura desses países. "A Rússia tem uma posição muito mais bélica, podemos dizer assim, de enfrentamento. Interviu militarmente no Oriente Médio e apoiou militarmente o Irã com fornecimento de armamento, inclusive", detalhou.

No entanto, a especialista observa que a Rússia não tem atuado com um discurso muito duro em defesa do Irã atualmente. "Isso porque o Irã, no ano passado, sofreu baixas muito importantes. Por ataques dos Estados Unidos e também de Israel. A Rússia não quer investir em quem está perdendo. A Rússia tem uma frente muito maior agora, que é na Ucrânia", analisou.

Já a China, segundo Calandrin, tem uma postura diferente, mais voltada ao soft power. "Querendo evitar esses conflitos, exatamente porque ela quer ganhar no comércio, ganhar na sua investida econômica. E os conflitos prejudicam essa estratégia chinesa", concluiu.

Questionada sobre as perspectivas para os próximos dias, a professora não demonstrou otimismo: "Eu acho que podemos esperar mais violência, o regime não deu indicativos que irá ceder a isso e eu não sou tão otimista a pensar que seriam poucos dias desse regime, porque o regime iraniano é ainda muito forte".

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