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    Nicola Sturgeon, ex-líder da Escócia, é solta após prestar depoimento sobre financiamento de partido

    Da CNN

    Em São Paulo

    A ex-premiê da Escócia Nicola Sturgeon, de 52 anos, deixou a prisão após prestar depoimento em investigação sobre o financiamento do Partido Nacional Escocês (SNP) neste domingo (11).

    O The Guardian afirma que a antiga governante, que renunciou ao cargo de primeira-ministra e líder do SNP há dois meses, é a terceira pessoa a ser detida no âmbito da Operação Branchform, lançada em 2021 e que investiga o uso de 702 mil euros (600 mil libras) em donativos que seriam destinados para uma campanha política independente.

    Peter Murrell, ex-presidente-executivo do partido e marido de Sturgeon, e o ex-tesoureiro Colin Beattie já tinham sido detidos a propósito desta investigação, mas ambos foram liberados sem qualquer acusação, embora ainda estejam a decorrer análises ao processo.

    Em comunicado compartilhado com a imprensa escocesa e publicado no Twitter, a Polícia da Escócia revelou que “uma mulher de 52 anos foi presa hoje, domingo, 11 de junho de 2023, como suspeita na ligação com a investigação em andamento sobre o financiamento e as finanças do Partido Nacional Escocês”.

    Sturgeon, que em nenhum momento atribuiu a sua demissão no final de março — após nove anos no cargo —, a estas suspeitas, defende a transparência das contas e os fundos angariados para a hipotética consulta.

    O SNP disse que coopera com a investigação e continuará a fazê-lo. “Não é apropriado abordar publicamente quaisquer questões enquanto a investigação estiver em andamento”, disse um porta-voz.

    “Sigilo e encobrimento”

    Sturgeon, a líder mais antiga do governo semiautônomo da Escócia, pegou o mundo político de surpresa quando anunciou sua renúncia em fevereiro, dizendo que havia se tornado muito divisiva para levar seu país à independência.

    Os escoceses rejeitaram encerrar a união de mais de 300 anos com a Inglaterra por 55% a 45% em um referendo de 2014, mas a votação do Brexit dois anos depois e a forma como a Escócia lidou com a pandemia do COVID-19 trouxe novo apoio à independência.

    O governo conservador em Westminster recusou um novo referendo, e as pesquisas mostram que o apoio ao SNP e à independência caiu desde a saída de Sturgeon.

    Os partidos de oposição acusaram o SNP de estar envolvido em escândalos e muito focado na independência para governar a Escócia adequadamente.

    O porta-voz do Partido Trabalhista da Escócia, Ian Murray, disse que havia uma cultura de “sigilo e encobrimento” no SNP.

    “A mesma cultura que leva às tendas da polícia nos jardins da frente criou o governo profundamente disfuncional que atualmente está falhando com os escoceses”, disse ele.

    O sucessor de Sturgeon, Humza Yousaf, descreveu a investigação policial como desafiadora, mas defendeu o histórico do SNP e acusou o governo de Westminster de interferir no governo da Escócia e tornar a devolução impraticável.

    A disputa pela liderança divisória para substituir Sturgeon expôs profundas divisões dentro do partido durante seus oito anos no poder, que viram um pequeno grupo exercer controle sobre os assuntos do partido.

    O YouGov disse no mês passado que, nas pesquisas atuais, o SNP poderia perder cerca de metade de suas cadeiras para o Partido Trabalhista nas próximas eleições do Reino Unido, previstas para 2024.

    Embora o SNP ainda seja o maior partido da Escócia, grandes ganhos para os trabalhistas podem ser a chave para as esperanças do partido de oposição britânico de obter a maioria e retornar ao poder em Westminster pela primeira vez desde 2010.
    Mais cedo neste domingo, Yousaf disse que o SNP estaria disposto a fazer um acordo com o Partido Trabalhista se a eleição resultasse em um parlamento dividido.

    Publicado por Flávio Ismerim, com informações da Reuters e CNN Internacional