Novo livro traz pistas do delator do esconderijo de Anne Frank aos nazistas

“The Betrayal of Anne Frank”, da escritora canadense Rosemary Sullivan, relata a investigação que levou ao principal suspeito de delatar o esconderijo dos Frank aos nazistas

Luis Felipe Abreucolaboração para a CNN

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Um novo livro lançado nos Estados Unidos nesta semana traz revelações e pistas para solucionar o mistério da captura de Anne Frank e sua família, 77 anos depois.

Em “The Betrayal of Anne Frank” (“A Traição de Anne Frank”), a escritora canadense Rosemary Sullivan relata a investigação que levou ao principal suspeito de delatar o esconderijo dos Frank aos nazistas: o tabelião judeu Arnold van den Bergh.

A descoberta se deu em uma pesquisa de mais de seis anos, liderada pelo ex-agente do FBI Vince Pankoke, e envolveu a investigação de documentos antigos e depoimentos de testemunhas póstumas, além de análises de dados com algoritmos modernos.

A fonte mais importante, porém, foi a cópia de uma carta anônima enviada ao pai de Anne, Otto Frank, após a Segunda Guerra Mundial, e que se encontrava esquecida em arquivos policiais. A nota denuncia van den Bergh, membro de um conselho judaico em Amsterdã, que teria informado ao Partido Nazista uma série de endereços de esconderijos em troca de evitar a deportação da própria família. Van den Bergh morreu em 1950, sem ter passado por nenhum campo de concentração.

Anne Frank e sua família tiveram de se refugiar da ocupação nazista da Holanda em 1942. Escondida em um anexo secreto em um edifício, a menina começou a escrever um diário relatando a vida em isolamento, bem como suas observações sobre a situação pela qual a Europa passava, suas emoções e reflexões.

Em agosto de 1944, a família foi descoberta e mandada para campos de concentração. Anne e sua irmã morreram no campo de Bergen-Belsen, na Alemanha, em 1945, aos 15 anos. Seu pai, Otto, sobreviveu a Auschwitz e descobriu os cadernos da filha após a Guerra. Publicado pela primeira vez em 1947, “O Diário de Anne Frank” é um dos mais reconhecidos relatos do Holocausto, e teve tradução para mais de 70 idiomas.

Otto Frank morreu em 1980, sem nunca ter revelado publicamente os indícios do culpado pela descoberta de sua família. Segundo o livro de Sullivan revela agora, o silêncio teria como motivação evitar uma percepção antissemita do caso; afinal, van den Bergh era também judeu.

Nesta segunda-feira (17), o museu Casa de Anne Frank, em Amsterdã, responsável pela manutenção da memória da jovem e seus escritos, se manifestou sobre o caso e sua importância. “Essa é uma hipótese fascinante, que merece investigações mais aprofundadas”, comentou em comunicado oficial.

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