Número de jornalistas presos cresce 20% em 2021 e atinge alta histórica, aponta ONG

Repórteres Sem Fronteiras registrou, em dezembro, 488 jornalistas presos por exercer a profissão ao redor do mundo; 65 são mantidos reféns e 46 foram mortos neste ano

Léo Lopesda CNN

em São Paulo

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Um relatório divulgado, nesta sexta-feira (16), pela ONG Repórteres Sem Fronteiras apontou um aumento de 20% em relação ao ano passado no número de jornalistas presos ao redor do mundo por causa de sua profissão.

No total, 488 jornalistas e colaboradores de veículos de comunicação estão presos – o maior número já registrado pela RSF, que faz o levantamento desde 1995.

Além disso, 65 são mantidos reféns e dois estão desaparecidos.

Até a publicação do relatório, 46 jornalistas foram mortos neste ano – o menor número registrado pela organização desde 2003.

A ONG analisa que a queda foi provocada pela diminuição de tensão em áreas como a Síria, Iraque e Iêmen, e pela maior mobilização pela liberdade de imprensa.

Mesmo assim, em média, cerca de um jornalista é morto a cada semana em algum lugar do mundo por exercer sua profissão. Os países mais perigosos são México e Afeganistão, com 7 e 6 repórteres mortos, respectivamente.

JORNALISTAS PRESOS REPORTERES SEM FRONTEIRAS
Desde 1995, a Repórteres Sem Fronteiras elabora um relatório anual dos abusos cometidos contra jornalistas. / Repórteres Sem Fronteiras / Reprodução

Além disso, a Repórteres Sem Fronteiras nunca registrou tantas jornalistas mulheres presas. Atualmente são 60 profissionais atrás das grades – 33% a mais do que no ano passado.

Países por trás da alta

“A alta histórica no número de jornalistas em detenção arbitrária é o resultado de três regimes ditatoriais”, disse o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire.

“É um reflexo do fortalecimento das ditaduras no mundo, de um acúmulo de crises e da falta de escrúpulos desses regimes”, complementou.

O aumento geral de 20% registrado em 2021 foi puxado, de acordo com a RSF, por principalmente três países:

  • Mianmar;
  • Belarus;
  • China.

O relatório relembra que Mianmar foi palco de um golpe de Estado. Em 1º de fevereiro, uma junta militar alegou fraude nas eleições gerais do país, e decretaram estado de emergência, fechando o Senado e o Parlamento.

O país tem atualmente 53 jornalistas e colaboradores da imprensa presos – nove são mulheres.

Belarus, “mergulhou  em um modelo repressivo após a reeleição do Alexander Lukashenko em agosto de 2020″, afirmou a ONG.

No país, mais mulheres jornalistas (17) estão presas do que homens (15). “Entre elas, as duas repórteres da rede independente Belsat, Daria Tchoultsova e Katsiarina Andreyeva, condenadas a dois anos em colônia penal por terem transmitido ao vivo uma manifestação não autorizada”, destacou a ONG.

A RSF ainda aponta que a restrição da liberdade de imprensa na China acontece principalmente pelo aumento do controle do país liderado por Xi Jinping sobre Hong Kong.

Um ano após a imposição de uma “Lei de Segurança Nacional”, o maior jornal pró-democracia de Hong Kong foi fechado.

A China lidera entre os países com o maior número de mulheres detidas. No total, são 19 jornalistas, entre elas Zhang Zhan.

A advogada jornalista transmitiu ao vivo imagens das ruas, hospitais e doentes de Wuhan no início da pandemia. Ela foi detida em maio de 2020 e condenada há quatro anos de prisão por “ter causado agitação”.

Relatório do CPJ

Os números da Repórteres Sem Fronteiras vão ao encontro de outro relatório, publicado pelo Comitê para Proteção dos Jornalistas, na semana passada. 

O relatório apontou que o mundo atingiu um recorde global em 2021 de jornalistas que estão atrás das grades. A ONG afirma que 293 repórteres foram presos até dezembro deste ano.

Pelo menos outros 24 jornalistas foram mortos por causa de sua cobertura, e outros 18 morreram em circunstâncias que tornam muito difícil determinar se eles foram alvos por causa de seu trabalho, informou o CPJ.

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