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    O Irã está perto de produzir uma bomba nuclear?

    Acordo nuclear de 2015 corre risco de desaparecer e os esforços para mantê-lo em vigor enfrentam novo desafio com morte do principal cientista nuclear do país

    Bandeira do Irã hasteada em Teerã
    Bandeira do Irã hasteada em Teerã Foto: Reuters

    O acordo nuclear de 2015 estabelecido entre o Irã e seis potências mundiais corre risco de desaparecer e os esforços para mantê-lo em vigor enfrentam um novo desafio com a morte do principal cientista nuclear iraniano.

    As restrições previstas no pacto sobre o trabalho atômico do Irã tinham apenas um objetivo: aumentar o tempo para Teerã produzir material suficiente para fabricar uma bomba, se o país decidir fazer uma, de dois a três meses para ao menos um ano.

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    O Irã argumenta que nunca buscou construir armas nucleares e nunca o faria, que o trabalho nuclear tem objetivos apenas civis.

    Teerã começou a violar as restrições do acordo em 2019, em uma resposta à decisão do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de se retirar do pacto em maio de 2018 e voltar a impor sanções ao país.

    A violação encurtou o tempo de produção da bomba, mas relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, em inglês), que fiscaliza o pacto, indicam que o Irã não está seguindo em frente com o trabalho nuclear na velocidade que poderia.

    Países europeus buscam salvar o acordo, pressionando Teerã a cumprir com as determinações mesmo diante do endurecimento das sanções por Washington, e espera uma mudança na política norte-americana com a posse do presidente eleito, Joe Biden, no dia 20 de janeiro. Ele fazia parte do governo de Barack Obama, que negociou o pacto em 2015.

    O que o Irã fez até agora?

    O Irã violou muitos pontos do acordo, mas ainda coopera com a IAEA e permite o acesso de inspetores sob um dos regimes de verificação nuclear mais intrusivos impostos a um país.

    Nessa quarta-feira (2), o Órgão de Fiscalização do Conselho dos Guardiães do Irã aprovou uma lei que obriga o governo do país a interromper as inspeções da Organização das Nações Unidas (ONU) nas instalações nucleares iranianas, e a aumentar o enriquecimento de urânio além do limite estabelecido no acordo nuclear de 2015, caso as sanções contra o país não sejam abrandadas em até dois meses.

    Urânio enriquecido
    O acordo estabelece o limite de estoque de urânio enriquecido que o Irã pode manter em 202,8 kg, uma fração das mais de 8 toneladas que possuía antes. Esse limite foi violado em 2019. A IAEA registrou em novembro que o estoque mantido é de 2.442,9 kg (2,44 toneladas).

    Nível de enriquecimento
    O acordo limita a pureza até a qual o Irã pode refinar urânio em 3,67%, muito abaixo dos 20% atingidos antes do acordo. O país ultrapassou o limite de 3,67% em julho de 2019 e o nível de enriquecimento permaneceu estável em 4,5% desde então.

    Centrífugas
    O pacto permite ao Irã produzir urânio enriquecido usando cerca de 5 mil centrífugas avançadas (IR-1 de primeira geração) na instalação nuclear subterrânea de Natanz, que foi construída para armazenar mais de 50 mil delas. O país tinha cerca de 19 mil centrífugas instaladas antes do acordo.

    Em 2019, a IAEA disse que o Irã havia começado a enriquecer urânio com centrífugas avançadas em uma instalação acima do solo em Natanz. Desde então, o país passou a mover três conjuntos de centrífugas avançadas para a planta subterrânea. 

    Fordow
    O acordo proibiu o enriquecimento de urânio na instalação de Fordow, local construído secretamente pelo Irã dentro de uma montanha e exposto pelos serviços de inteligência ocidentais em 2009. As centrífugas são permitidas ali para outros propósitos, como produção de isótopos estáveis. Hoje, o Irã tem 1.044 centrífugas IR-1 enriquecendo urânio no local.

    O Irã está perto de ter uma bomba?

    As violações ao acordo diminuíram o tempo de produção de uma bomba, mas as estimativas ainda variam. Muitos diplomatas e especialistas em questões nucleares dizem que um ano ainda é um número conservador e o Irã precisaria de mais do que isso. David Albright, ex-inspetor de armas da Organização das Nações Unidas (ONU), estima que, atualmente, o Irã pode encurtar o tempo para “três meses e meio”.

    O que mais o Irã pode fazer?

    Se o Irã acumular material físsil (capaz de sustentar uma reação em cadeia de fissão nuclear) suficiente, precisaria montar uma bomba – pequena o suficiente para ser carregada por mísseis balísticos. Quanto tempo isso levaria exatamente ainda não se sabe, mas armazenar material físsil suficiente é amplamente visto como o maior obstáculo na produção de uma arma.

    Agências de inteligência dos EUA e a IAEA acreditam que o Irã já teve antes um programa de armas nucleares que acabou sendo suspenso. Evidências sugerem que Teerã obteve um projeto para uma arma nuclear e realizou vários trabalhos relevantes para a fabricação de uma.

    Os iranianos continuam garantindo acesso da IAEA às instalações nucleares e permitindo inspeções em outros locais.

    (Com Reuters)

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