O pacto de Glasgow foi uma vitória para o clima? Só o tempo dirá

"Ainda estamos batendo à porta da catástrofe climática. É hora de entrar em modo de emergência", diz secretário-geral da ONU, António Guterres

Jovens ativistas apresentam propostas para conversas do clima de Glasgow
Jovens ativistas apresentam propostas para conversas do clima de Glasgow Reuters

Da Reuters

Por Kate Abnett e Valerie Volcovici, da Reuters

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A ambição era clara: a Cúpula do Clima da ONU tinha como objetivo garantir um acordo para dar ao mundo a chance de evitar os piores impactos das mudanças climáticas, limitando o aquecimento global a apenas 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais.

O acordo alcançou essa meta, mas por pouco, e seu sucesso definitivo será determinado pelas ações futuras dos governos que o assinaram, isso de acordo com os anfitriões, o Reino Unido, além de participantes e observadores da cúpula.

“Acho que hoje podemos dizer com credibilidade que mantivemos o limite de 1,5 grau ao nosso alcance. Mas o pulso ainda está fraco, e só sobreviveremos se cumprirmos nossas promessas”, disse o presidente da cúpula, Alok Sharma, na noite de sábado (13), após a assinatura do pacto.

O acordo, apoiado por quase 200 países e que teve pela primeira vez como alvo os combustíveis fósseis, maiores impulsionadores do aquecimento global causado pelo homem, pediu aos governos que acelerem os cortes de emissões e prometeu mais financiamento aos países pobres que enfrentam dificuldades para combater as mudanças climáticas.

Também introduziu promessas e pactos voluntários de países, empresas e investidores para limpar as emissões de carros e de aviões, reduzir a emissão do metano, proteger florestas e reforçar as finanças sustentáveis.

Mas o acordo ficou repleto de concessões, deixando todas as partes – desde nações ricas em busca de uma ação mais rápida, até países em desenvolvimento ricos em recursos e países insulares – insatisfeitas.

“Os textos aprovados são concessões”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres. “Eles refletem os interesses, as condições, as contradições e o estado da vontade política no mundo de hoje.”

Isso deixa o mundo altamente vulnerável.

“Ainda estamos batendo à porta da catástrofe climática. É hora de entrar em modo de emergência”, disse ele.

 

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