Palestinos em Gaza dizem que plano de Trump só serve para os EUA e Israel

Proposta de paz do presidente americano incluo cessar-fogo imediato, troca de reféns e prisioneiros palestinos e governo de transição liderado por organismo internacional.

, Fadi Shana e , da Reuters
Fumaça no centro de Gaza em meio a fuga de palestinos saindo do norte 24/9/2025  • REUTERS/Dawoud Abu Alkas
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Palestinos que vivem em acampamentos improvisados ​​perto do mar, no centro da Faixa de Gaza, expressaram nesta terça-feira (30) sua decepção com o recente plano de paz para o território palestino do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Deslocado do norte de Gaza, Nabil Aawad afirmou que o plano atende apenas aos interesses dos EUA e de Israel.

“Eles têm interesses em Gaza, querem acabar com Gaza de qualquer maneira possível... E todas essas complicações vêm de Trump e (do primeiro-ministro israelense Benjamin) Netanyahu, e se quisessem resolver (a guerra), já a teriam resolvido há muito tempo. Nós somos as vítimas aqui”, expressou ele.

A Casa Branca divulgou um documento de 20 pontos que pedia um cessar-fogo imediato, a troca de reféns mantidos pelo Hamas por prisioneiros palestinos mantidos por Israel, uma retirada israelense gradual de Gaza, o desarmamento do Hamas e um governo de transição liderado por um organismo internacional.

Não ficou imediatamente claro se o governo Trump e Israel haviam resolvido todas as suas diferenças, incluindo a possibilidade de um futuro Estado Palestino, que Netanyahu rejeitou veementemente, e qualquer papel da Autoridade Palestina na governança pós-guerra do território.

O acordo sugere ainda que Gaza não será anexada por Israel e que o Hamas não terá participação no governo do território. Integrantes do grupo palestino que se renderem seriam anistiados. A proposta também inclui a retirada gradual das forças israelenses de Gaza e a desmilitarização do território.

Trump agradeceu a Netanyahu “por concordar com o plano e por confiar que, se trabalharmos juntos, poderemos pôr fim à morte e à destruição que presenciamos por tantos anos, décadas e até séculos”.

Combatentes liderados pelo Hamas mataram cerca de 1.200 pessoas e capturaram 251 reféns no ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel, segundo dados israelenses.

Mais de 66 mil palestinos foram mortos desde então no ataque israelense, segundo autoridades de saúde de Gaza.