Pandemia de Covid-19 causa pobreza sem precedentes na América Latina

O relatório anual da CEPAL aponta que pessoas de baixa e média baixa renda foram as mais afetadas pela pandemia

Imagem mostra a desigualdade na cidade do Guarujá, no litoral de São Paulo
Imagem mostra a desigualdade na cidade do Guarujá, no litoral de São Paulo Foto: Johnny Miller/Reprodução

Paula Bravo Medina, da CNN

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O ano de 2020 terminou com mais 22 milhões de pessoas pobres na América Latina e no Caribe. No total, 209 milhões de pessoas vivem na pobreza, segundo o relatório anual da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). É um número inédito, segundo a agência.

Além disso, a América Latina piorou os índices de desigualdade, as taxas de emprego e a participação no trabalho, especialmente para as mulheres, disse o relatório. Das 209 milhões de pessoas em situação de pobreza no final de 2020, 78 milhões estavam em extrema pobreza. São 8 milhões a mais do que em 2019.

E o que vem não é melhor. Segundo projetos da Cepal, a região registrará uma queda de 7,7% no Produto Interno Bruto (PIB). O relatório “estima que em 2020 a taxa de pobreza extrema foi de 12,5% e a taxa de pobreza atingiu 33,7% da população”.

Medidas governamentais

A Cepal afirma que as ações emergenciais dos governos em 2020 ajudaram a aliviar o aumento da pobreza.

“Os governos da região implementaram 263 medidas emergenciais de proteção social em 2020. Elas atingiram 49,4% da população, cerca de 84 milhões de domicílios ou 326 milhões de pessoas”,diz a organização e calcula que sem essas medidas a pobreza extrema seria de 15,8% e pobreza 37,2%.

Os mais afetados: pessoas de baixa e média baixa renda

Estima-se que em 2020 cerca de 491 milhões de latino-americanos viviam com uma renda até três vezes a linha da pobreza. Cerca de 59 milhões de pessoas que pertenciam às camadas médias em 2019 passaram por um processo de mobilidade econômica decrescente”, diz o relatório da Cepal.

A desigualdade também aumentará como resultado da pandemia. A Cepal afirma que a desigualdade em 2020 pode chegar a um índice de Gini 2,9% superior ao de 2019.

O coeficiente de Gini mede a desigualdade na distribuição de renda e varia de 0 a 1, onde 0 é igualdade perfeita e 1 desigualdade perfeita.

“Sem as transferências feitas pelos governos para mitigar a perda de renda do trabalho, cuja distribuição tende a se concentrar nos grupos de baixa e média renda, a expectativa de aumento do índice de Gini médio para a região teria sido de 5,6%”.

Mercado laboral

No final de 2020, o desemprego atingiu 10,7%, um aumento de 2,6 pontos percentuais em relação a 2019.

A queda no emprego e a saída de pessoas do mercado de trabalho devido à pandemia afetam mais mulheres, trabalhadores informais, jovens e imigrantes, informa o relatório.

Ações solicitadas pela Cepal

“Não há dúvida de que os custos da desigualdade se tornaram insustentáveis e que é preciso reconstruir com igualdade e sustentabilidade, visando a criação de um verdadeiro Estado de bem-estar, tarefa muito esperada na região”, afirma Alicia Bárcena, secretária-executiva da comissão regional das Nações Unidas, citada no relatório.

Com base nisso, a organização preconiza, entre outras medidas, que os países criem um Estado de bem-estar que inclua, no curto prazo, políticas como renda básica emergencial, bônus contra a fomee renda básica emergencial para as mulheres.

A médio e longo prazo, a Cepal preconiza uma renda básica universal que dê prioridade às famílias com filhos menores e apela a sistemas universais de proteção social.

Texto traduzido. Clique aqui para ler o original, em espanhol

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