Paquistão busca mediação entre Irã e EUA em meio a prazo para acordo

Segundo fontes, as próximas horas podem definir rumo das negociações; reação da Arábia Saudita à ofensiva do Irã arriscaria envolver Islamabad na guerra

Da Reuters
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Esforços para viabilizar negociações entre Estados Unidos e Irã seguem em andamento, segundo duas fontes paquistanesas ouvidas pela Reuters nesta terça-feira (7), mesmo com o aumento dos ataques americanos ao Irã e a proximidade do prazo definido pelo presidente Donald Trump para desferir o que chamou de “inferno”.

Uma das fontes, um alto funcionário de segurança, afirmou que o ataque noturno do Irã a instalações industriais na Arábia Saudita, ligadas a empresas dos EUA, pode prejudicar as negociações.

“Se a Arábia Saudita reagir aos ataques, as conversas estarão encerradas”, disse, acrescentando que uma retaliação poderia envolver o Paquistão, devido ao pacto de defesa com Riade.

A segunda fonte alertou que o Irã está “pisando em terreno muito perigoso” e que as próximas horas serão decisivas para o futuro do diálogo.

Nas últimas semanas, o Paquistão tem atuado como principal intermediário entre Washington e Teerã, transmitindo propostas de ambos os lados, mas ainda não há sinais de acordo.

“Estamos em contato com os iranianos. Recentemente, eles mostraram alguma flexibilidade, mas também colocam condições rígidas para iniciar qualquer negociação”, disse a fonte de segurança paquistanesa. Islamabad tenta convencer Teerã a dialogar sem pré-condições.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que a troca de mensagens por mediadores continua.

Uma fonte sênior iraniana disse à Reuters que Teerã rejeitou uma proposta de cessar-fogo temporário e que negociações por uma paz duradoura só poderiam começar após EUA e Israel suspenderem os ataques, garantirem que não serão retomados e oferecerem compensações pelos danos causados.

O ataque à Arábia Saudita complica ainda mais a posição do Paquistão, que mantém um pacto de defesa com Riade prevendo assistência mútua em caso de ataque. O país tenta evitar ser arrastado para o conflito, que poderia gerar instabilidade na fronteira ocidental com o Irã e aumentar tensões com sua população xiita, a segunda maior do mundo.

O Ministério das Relações Exteriores do Paquistão classificou os ataques como “uma escalada perigosa que ameaça a paz e a estabilidade regional”.