Partido governista admite derrota e Honduras deve ter primeira mulher presidente

Vitória de Xiomara Castro representa retorno da esquerda ao poder 12 anos após golpe

Da Reuters
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O candidato conservador do partido governista de Honduras admitiu derrota na eleição presidencial na noite desta terça-feira (30), abrindo caminho para que sua rival Xiomara Castro, de esquerda, se torne a primeira mulher a liderar o país.

Chamando Castro de "presidente eleita", o candidato ao Partido Nacional, Nasry Asfura, disse que visitou a rival para dar os parabéns por ter vencido a votação do último domingo (28), em uma ação que encerrará os 12 anos de mandato de seu grupo.

"Quero dizer publicamente que a parabenizo por sua vitória", disse Asfura em um vídeo transmitido pela televisão local.

Castro acumulou uma vantagem preliminar de quase 20 pontos percentuais sobre Asfura, mas a decisão do resultado enfrentou atrasos devido à uma contagem lenta de votos no conselho eleitoral.

Com mais de 52% dos votos apurados até terça à noite, Castro tem 53,4% de apoio, contra 31% de Asfura.

Minutos após a concessão de Asfura, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, também parabenizou Castro e disse que Washington está ansioso para trabalhar com ela.

“Parabenizamos os hondurenhos pelo alto comparecimento eleitoral, participação pacífica e engajamento ativo da sociedade civil que marcou esta eleição, sinalizando um compromisso duradouro com o processo democrático”, disse Blinken.

Embora o conselho eleitoral não tenha publicado os totais preliminares de votos para as disputas parlamentares, os primeiros resultados apontam para uma possível maioria para o partido Libre, de esuqerda, e seus principais aliados.

O chefe do Partido Nacional, David Chávez, disse antes que seu partido assumiria o papel de "oposição construtiva" e estava pronto para trabalhar com o próximo governo.

A derrota põe fim a um período turbulento do Partido Nacional, que foi marcado por escândalos e acusações de corrupção, especialmente durante os dois mandatos do ex-presidente Juan Orlando Hernandez.

Hernandez é profundamente impopular e foi citado em um caso de tráfico de drogas em um tribunal federal dos Estados Unidos. Ele nega qualquer irregularidade, mas pode enfrentar uma acusação quando deixar o cargo.

A vitória de Castro fará com que a esquerda retorne ao poder após um hiato de 12 anos que se seguiu à destituição de seu marido, o ex-presidente Manuel Zelaya, em um golpe em 2009.

A candidata enfrenta grandes desafios em Honduras, onde o desemprego, o crime, a corrupção e a ameaça de gangues ajudaram a impulsionar a migração recorde para os Estados Unidos.

A transmissão tranquila dos resultados das eleições antecipadas ajudou na transparência e na confiança, disse a missão observadora da União Europeia.