Partidos portugueses encerram campanhas e aguardam eleições parlamentares de domingo

Pesquisas eleitorais mostram disputa acirrada e sem definição de maioria no parlamento

Primeiro-ministro de Portugal, António Costa, durante entrevista coletiva em Lisboa
Primeiro-ministro de Portugal, António Costa, durante entrevista coletiva em Lisboa 25/11/2021 REUTERS/Pedro Nunes

Catarina DemonySergio Gonçalvesda Reuters

Ouvir notícia

Acenando bandeiras coloridas e gritando slogans políticos, centenas de pessoas foram às ruas de Lisboa, em Portugal, nesta sexta-feira (28) para apoiar os candidatos que encerraram duas semanas de campanha antes das eleições parlamentares do próximo domingo (30).

A eleição, convocada em novembro depois que o parlamento rejeitou o projeto de orçamento do governo, está aberta, já que os socialistas do Partido Socialista (PS) no poder continuam perdendo a liderança nas pesquisas de opinião para o principal partido da oposição, os social-democratas de centro-direita do Partido Social Democrata (PSD).

Ana Ferreira, de 48 anos, trouxe o seu filho Miguel para o comício do PS na Baixa Chiado, um dos bairros mais emblemáticos de Lisboa. Embora uma vitória para seu partido seja incerta, ela estava esperançosa.

“Para nosso próprio bem, minha expectativa é uma vitória, uma vitória muito clara”, disse Ferreira. “Quero que seja assegurado um futuro para todas as crianças, inclusive a minha. Quero escolas públicas para todos, saúde para todos.”

Analistas dizem que a eleição deve piorar a instabilidade política e pode produzir um governo de curta duração, já que nenhum partido ou aliança conhecida deve ganhar a maioria do parlamento.

O partido de centro-esquerda do primeiro-ministro António Costa caiu para 35% de apoio, de acordo com uma pesquisa do ISCTE-ICS para a SIC TV e o jornal Expresso publicado nesta sexta. Há um mês o partido tinha 38%, enquanto o PSD subiu de 31% para 33%.

Num comício na sexta-feira também realizado na Baixa Chiado, os partidários do PSD vestiram a laranja do partido e manifestaram otimismo.

“Espero que vençamos, e estou confiante… vejo pessoas unindo forças”, disse Helena Correia, de 62 anos, enquanto esperava a chegada do líder do PSD Rui Rio ao comício.

Pesquisas mostram disputa acirrada

A diferença entre PS e PSD é menor do que a margem de erro de 3,1% da pesquisa do ISCT-ICS, o que significa que eles estão em empate técnico. Uma pesquisa diferente no início da semana mostrou o PSD liderando com uma margem pequena.

A divisão apertada deixa os partidos distantes de uma maioria parlamentar, que no sistema de representação proporcional equivale a entre 42% e 45% dos votos.

Outra pesquisa realizada por pesquisadores da Catolica para o canal de TV RTP, a rádio Antena 1 e o jornal Publico, mostrou o PS em 36%, abaixo dos 37% da semana anterior. O PSD manteve-se estável em 33%.

Na pesquisa do ISCTE-ICS, o partido de extrema-direita Chega, a Iniciativa Liberal pró-empresarial, a aliança Comunista-Verdes e a Coligação Democrática Unitária (CDU) viram apoio de 6% cada, e qualquer um deles pode se tornar a terceira maior força no parlamento.

“Vamos conquistar o terceiro lugar, e vai ser histórico”, disse o adepto do Chega Miguel Santos, de 49 anos, quando o líder do partido, André Ventura, saía de um comício em Lisboa.

O ISCTE-ICE entrevistou 1.003 pessoas de 18 a 24 de janeiro, enquanto a Catolica entrevistou 2.192 pessoas de 19 a 26 de janeiro, com margem de erro de 2,1%.

Mais Recentes da CNN