Pedágio dos EUA em Ormuz seria uma "máquina de inflação", diz especialista

Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, avalia, ao CNN 360°, que cobrança de 20% no Estreito de Ormuz geraria inflação e imprevisibilidade nos mercados financeiros globais

Da CNN Brasil
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O presidente americano, Donald Trump, anunciou que os Estados Unidos passarão a cobrar um pedágio de 20% no Estreito de Ormuz e que o bloqueio aos portos iranianos será retomado. A medida, considerada de difícil aplicabilidade, foi avaliada por Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, ao CNN 360° como uma potencial "máquina de geração de inflação".

Segundo Aragão, nenhum dos anúncios feitos até agora — sejam de cessar-fogo, retomada de hostilidades ou promessas de acordos — pode ser considerado absoluto.

"Nunca teve tudo bem, o cessar-fogo nunca foi completo, o reinício das hostilidades nunca foram paradas completamente e as promessas, tanto do Trump como muitas das respostas do governo iraniano, também não são absolutas", afirmou o especialista.

Impacto econômico do pedágio

Aragão explicou que, se o pedágio fosse implementado, geraria uma arrecadação estimada de US$ 250 milhões por dia. No entanto, esse valor seria imediatamente repassado ao preço dos produtos transportados pelo Estreito.

"Isso seria uma máquina de geração de inflação", disse ele, acrescentando que a inflação seria amplificada não apenas pelo pedágio em si, mas também pelas dificuldades impostas pelo Irã em resposta à medida.

O especialista destacou ainda que navios que transitam pela região já pagam prêmios de seguro extremamente elevados, e que esse custo também é transferido ao consumidor final.

Na hipótese de um bloqueio americano cobrando pedágio combinado com drones iranianos atacando embarcações, a situação se tornaria, nas palavras de Aragão, "uma combinação péssima para todo mundo".

Mercado financeiro e imprevisibilidade

Questionado sobre como o mercado financeiro está interpretando os movimentos, Aragão afirmou que a principal preocupação não é o percentual de 20% em si, mas a imprevisibilidade gerada pelo conjunto de fatores.

"O mercado financeiro prefere muito mais uma notícia ruim do que a falta de notícia", explicou. Para ele, a precificação do problema ocorre na interpretação de que cada declaração de Trump adiciona um novo elemento de incerteza, que tende a provocar retaliações iranianas e novas reações americanas.

O maior temor do mercado, segundo Aragão, seria o cenário em que os Estados Unidos se vissem obrigados a utilizar tropas terrestres contra o Irã. "Na história, nunca ninguém conseguiu, de uma forma bem-sucedida, invadir o Irã, porque a geografia favorece muito o Irã", ponderou.

Ele acrescentou que o regime iraniano atual é "incrivelmente mais bélico e menos apto à negociação do que há seis meses", com aqueles mais abertos ao diálogo já tendo morrido e sendo substituídos por lideranças com visão mais combativa e com grande eficiência na produção de drones.

Tarifas americanas sobre o Brasil

O especialista também comentou brevemente sobre a possibilidade de tarifas de 25% dos Estados Unidos sobre o Brasil. Aragão avaliou que se trata de uma possibilidade real, tendo em vista a investigação aberta pelo USTR.

Ele explicou que a lista de razões que motivou a investigação já inclui elementos como corrupção — que funcionaria como justificativa pronta para a aplicação das tarifas — e desmatamento, sobre o qual o Brasil teria algum espaço de argumentação.

Outro ponto destacado foi a inclusão do Pix na lista de razões. Para Aragão, o Pix não é um produto, mas um direito do cidadão brasileiro, o que dificulta a argumentação americana.

No entanto, a pressão sobre o sistema de pagamentos serviria para induzir o Brasil a ceder em outro ponto, como o etanol de milho, uma reivindicação histórica dos Estados Unidos. "A própria composição das razões já é um mapa que indica como seria o comportamento de negociação dos americanos", concluiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.