Peru espera próximo presidente com contagem travada perto do fim

Segundo turno das eleições aconteceu há oito dias e apuração está parada em 99,935%

À esquerda o candidato de esquerda Pedro Castillo; à direita a conservadora Keiko Fujimori, filha do ex-presidente e ditador preso Alberto Fujimori
À esquerda o candidato de esquerda Pedro Castillo; à direita a conservadora Keiko Fujimori, filha do ex-presidente e ditador preso Alberto Fujimori Foto: CNN

Reuters

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Os peruanos ainda esperavam que o próximo presidente fosse confirmado na manhã desta segunda-feira (14), mais de uma semana após um segundo turno polarizado, e o socialista Pedro Castillo se agarra a uma vantagem pequena que inclinaria o país com força para a esquerda.

A contagem de votos, que está travada desde sábado (12) em 99,935%, mostrou o ex-professor com 50,14%, menos de 50 mil votos adiante da rival de direita Keiko Fujimori, que alega que houve fraude sem apresentar provas.

Castillo, de 51 anos, pouco conhecido antes da vitória inesperada no primeiro turno de abril, abala a elite política e empresarial do país andino rico em cobre com seus planos de reescrever a Constituição e elevar acentuadamente os impostos sobre a mineração.

Ele diz que os peruanos já “escolheram seu caminho”, e seu partido de esquerda Peru Livre canta vitória, apesar de as tentativas de Keiko de anular alguns votos contrários estarem adiando a confirmação oficial do resultado.

Ainda não está claro quando a comissão eleitoral do país anunciará formalmente o vencedor, mas Castillo pede que a contagem seja encerrada logo para acabar com a incerteza.

Keiko, de 46 anos, herdeira de uma família política poderosa e filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que está preso por corrupção e abusos de direitos humanos, promete continuar lutando até o último voto ser computado.

O partido de Castillo rejeita as acusações de fraude e observadores internacionais do processo em Lima dizem que as eleições foram limpas.

Se confirmado, o triunfo de Castillo será um grande impulso para a esquerda da região. O socialista vem de uma área pobre do norte do Peru e concentra o voto do interior, revoltado por se sentir abandonado na história do crescimento peruano.

Os níveis crescentes de pobreza e desigualdade também colocam em questão as elites políticas tradicionais, algo intensificado pelo maior surto mundial de casos de Covid-19 per capita, que mina a economia dependente da mineração.

Marchas de apoiadores dos dois candidatos ocorreram em Lima ao longo da última semana. Alguns eleitores de Castillo foram de áreas rurais à capital para protestar, e partidários de Keiko apoiam as acusações de fraude feitas por ela.

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