Polícia prende manifestantes na Austrália, que tem recorde de casos de Covid-19

Sydney, a maior cidade do país com mais de 5 milhões de habitantes, está em um bloqueio das atividades por mais de dois meses, sem conseguir conter um surto, enquanto parte da população protesta contra restrições

Lidia Kellyda Reuters

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A polícia australiana prendeu centenas de manifestantes anti-lockdown em Melbourne e Sydney no sábado e sete policiais foram hospitalizados como resultado dos confrontos, enquanto o país viu o maior aumento em um único dia em casos de Covid-19.

A polícia montada usou spray de pimenta em Melbourne para dispersar multidões de mais de 4.000 pessoas que se dirigiam para as linhas da polícia, enquanto grupos menores de manifestantes foram impedidos de se reunir em Sydney por um grande contingente de policiais de choque.

A polícia do estado de Victoria divulgou que prendeu 218 pessoas na capital do estado, Melbourne. Foram emitidas 236 multas e três pessoas ficaram sob custódia por agressão à polícia. As pessoas presas receberam multas de 5.452 dólares australianos (cerca de US$ 3.900) cada por violar ordens de saúde pública.

A polícia de Sydney, no estado de New South Wales, acusou 47 pessoas de violar ordens de saúde pública ou resistir à prisão, entre outros crimes, e emitiu mais de 260 multas que variam de 50  a a  3.000 dólares australianos. A polícia disse que cerca de 250 pessoas chegaram à cidade para o protesto.

Sydney, a maior cidade da Austrália com mais de 5 milhões de habitantes, está em um bloqueio estrito por mais de dois meses, sem conseguir conter um surto que se espalhou pelas fronteiras internas e até à vizinha Nova Zelândia.

A grande maioria dos 894 casos relatados em toda a Austrália no sábado foram encontrados em Sydney, o epicentro do surto alimentado pela variante Delta. “Estamos em uma situação muito séria aqui em New South Wales”, disse o ministro estadual da Saúde, Brad Hazzard. “Não há tempo agora para ser egoísta, é hora de pensar na comunidade em geral e em suas famílias.”

A polícia patrulhou as ruas de Sydney e bloqueou o transporte público e privado para o centro da cidade para reduzir o número de pessoas reunidas em um protesto não autorizado.

Em Melbourne, a segunda cidade mais populosa do país, uma grande multidão conseguiu marchar e alguns entraram em confronto com a polícia, depois que o premiê estadual Daniel Andrews expandiu um bloqueio municipal para todo o estado.

O comissário-chefe da polícia de Victoria, Shane Patton, havia alertado as pessoas para ficarem longe do protesto, acrescentando ser “simplesmente ridículo pensar que as pessoas seriam tão egoístas e fizessem isso”.

Várias centenas de pessoas também protestaram pacificamente em Brisbane, que não está fechada. Apenas 7% dos australianos apoiam os protestos frequentemente violentos, de acordo com uma pesquisa do final de julho da empresa de pesquisa de mercado Utting Research.

A conformidade com as regras de saúde pública tem sido uma das principais razões citadas por trás do sucesso da Austrália, em relação a outros países ricos, na gestão da pandemia. Mas o país tem lutado para conter a terceira onda de infecções que começou em Sydney em meados de junho.

A Austrália teve cerca de 43.000 casos de Covid-19 e 978 mortes. Mas, embora esses números sejam baixos, apenas cerca de um terço dos australianos com 16 anos ou mais foram totalmente vacinados, de acordo com dados do Ministério da Saúde divulgados no sábado (21).

Autoridades de New South Wales relataram três mortes e 516 pessoas hospitalizadas no sábado. Das 85 pessoas em tratamento intensivo, 76 não foram vacinadas, disseram as autoridades.

Pelo menos 96 pessoas estiveram ativas na comunidade durante o período infeccioso, e houve uma série de violações de ordens de saúde pública, todas retardando os esforços para conter o surto.

Em Victoria, pelo menos 39 pessoas foram ativas na comunidade durante a infecção. Dezoito pessoas estavam no hospital, oito em terapia intensiva e seis em ventiladores.

Protesto contra lockdown na Austrália
Protestos contra as medidas da Covid-19 impostas pelo governo australiano, em Sydney / Getty Images

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