Polônia, Lituânia e Letônia consideram acionar Otan sobre fronteira com Belarus

Países estão em debate sobre a possibilidade de acionar o artigo 4, que pede consulta quanto à "integridade territorial, independência política ou segurança de qualquer uma das partes estiver ameaçada"

Migrantes tentam se aproximar de caminhão durante distribuição de ajuda humanitária na fronteira entre Belarus e Polônia
Migrantes tentam se aproximar de caminhão durante distribuição de ajuda humanitária na fronteira entre Belarus e Polônia Reprodução

Ivana KottasováSebastian ShuklaAntonia MortensenZahra Ullahda CNN

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Polônia, Lituânia e Letônia estão considerando acionar o Artigo 4 da Otan sobre a crise que se desenrola em suas fronteiras com a Belarus, enquanto milhares de pessoas presas em condições de congelamento continuam tentando cruzar para a Europa.

O primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, disse à Agência de Imprensa polonesa no domingo que os três países estão em debate sobre a possibilidade de acionar o artigo, que pede consulta quanto à “integridade territorial, independência política ou segurança de qualquer uma das partes estiver ameaçada”.

Um oficial da Otan afirmou na semana passada que a aliança militar estava monitorando a escalada da situação e que “os aliados da Otan manifestam total solidariedade com a Polônia e outros aliados afetados pela instrumentalização de migrantes da Belarus.”

O oficial disse que a Belarus “tem responsabilidade pela crise e o uso de migrantes pelo regime de Lukashenko como uma tática híbrida é desumano, ilegal e inaceitável”.

Nesta segunda-feira (15) guardas de fronteira polonesa usaram alto-falantes para alertar as pessoas no cruzamento Kuźnica-Bruzgi sobre a possibilidade de uso de força a força caso as ordens não sejam cumpridas.

As autoridades também posicionaram um helicóptero e um canhão d’água na área, embora o canhão não tenha sido usado. Um comboio de veículos da polícia foi vista se aproximando da fronteira.

Milhares de pessoas tentaram cruzar a fronteira para a Polônia nos últimos dias, sentadas no chão perto da fronteira, apesar das temperaturas quase congelantes.

Katarzyna Zdanowicz, porta-voz da Guarda de Fronteira polonesa, disse à CNN na manhã de segunda-feira que cerca de 4.000 pessoas estavam acampadas ao longo da fronteira e que a situação era “muito tensa e perigosa”.

Zdanowicz também informou que houve “tentativas forçadas em massa de cruzar a fronteira” na área de Kuznica por um grupo de 60 pessoas na noite de domingo.

Aqueles que tentaram atravessar se comportaram “agressivamente”, de acordo com o serviço de guarda de fronteira. Eles atiraram pedras e galhos na polícia de fronteira polonesa, disse ela, acrescentando que as armas estavam sendo “apontadas para nossos soldados” e uma “pistola sinalizadora” foi disparada contra eles.

Mais pessoas buscaram a área na segunda-feira. Uma equipe da CNN testemunhou milhares de pessoas no campo de migrantes de Bruzgi, na Belarus, pegando suas malas e começando a se mover em direção à fronteira com a Polônia durante a manhã.

Um boato começou a circular no campo de que o governo polonês poderia abrir a fronteira e permitir um corredor humanitário para a Alemanha.

A Polônia negou veementemente e as pessoas que se aglomeraram na área receberam mensagens de texto de autoridades polonesas afirmando que a informação era uma “mentira sem sentido”.

A mensagem SMS, também recebida por membros da equipe da CNN na área, diz em parte: “A Polônia não permitirá que os migrantes passem para a Alemanha. Protegerá sua fronteira. Não se deixe enganar, não tente nenhuma ação.”

O Comitê Estadual de Fronteiras da Belarus disse que as pessoas que se deslocam em direção à fronteira têm “intenções puramente pacíficas”, de acordo com a mídia estatal BelTA.

“Os refugiados juntaram agasalhos, tendas, sacos de dormir, na esperança de um desfecho positivo da situação.

Ao meio-dia, eles se auto organizaram em uma grande coluna e começaram a se mover em direção ao posto de controle de Bruzgi”, disse Anton Bychkovsky, o representante oficial do comitê de fronteira.

O chefe da política externa da União Europeia, Josep Borrell, afirmou ainda que, enquanto isso, a União Europeia estenderá as sanções contra a Belarus. O anúncio foi feito antes de uma reunião em Bruxelas.

“Hoje vamos aprovar um novo pacote de sanções contra o povo bielorrusso responsável pelo que está acontecendo (…) e vamos lançar um quadro para implementar outras sanções a outras pessoas, companhias aéreas, agências de viagens e todos os envolvidos neste processo ilegal de migrantes em nossas fronteiras”, disse ele.

Texto traduzido. Leia o original em inglês aqui.

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