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    Primeiro-ministro da Armênia critica Rússia em meio a conflito com Azerbaijão

    Armênia e Azerbaijão disputam região de Nagorno-Karabakh, de maioria armênia mas oficialmente parte do território do país vizinho

    Nikol Pashinyan, primeiro-ministro da Armênia
    Nikol Pashinyan, primeiro-ministro da Armênia Contributor/Getty Images

    Radina GigovaMartin GoillandeauHafsa Khalilda CNN

    O primeiro ministro da Armênia classificou as relações de segurança do país como “ineficazes”, em um ataque à Rússia depois de o Azerbaijão ter reivindicado a província separatista de Nagorno-Karabakh.

    A Armênia faz parte da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), grupo de seis estados pós-soviéticos e que, de maneira similar ao que faz a Otan, exige que os membros se ajudem quando estão sob ataque.

    Nesta semana, porém, o Azerbaijão forçou a rendição de combatentes armênios em Nagorno-Karabakh, a princípio colocando um fim a um conflito que durou décadas e testando se a Armênia poderia contar com a Rússia, aliada de longa data.

    “A Armênia nunca recusou suas obrigações com seus aliados e nunca traiu os seus aliados”, disse o primeiro-ministro do país, Nikol Pashinyan, de acordo com a rádio pública da Armênia, acrescentando que os acontecimentos recentes expuseram as “vulnerabilidades” do país.

    Pashinyan já criticou a Rússia por não ter comunicado os planos do Azerbaijão, enquanto alguns críticos russos zombaram do primeiro-ministro por ser incapaz de proteger os armênios para além das suas fronteiras.

    O Azerbaijão declarou na terça-feira (19) que iniciou o que chamou de “operação antiterrorista” visando posições militares armênias na região de Nagorno-Karabakh, e autoridades da região disseram que houve disparos de artilharia pesada em torno da capital.

    Embora reconhecido internacionalmente como parte do Azerbaijão, Nagorno-Karabakh é o lar de 120 mil armênios, que são a maioria da população e criaram o seu próprio governo, rejeitando o domínio do Azerbaijão.

    Atualmente, o governo armênio está trabalhando com parceiros para desenvolver mecanismos internacionais que protejam os direitos do povo de Nagorno-Karabakh.

    Se, porém, esses esforços falharem, a Arménia aceitará os seus “irmãos e irmãs com todo o cuidado”, disse Pashinyan.

    “Mas isto não só não resolverá os problemas atuais, como vai agravá-los ainda mais”, alertou.

    Os comentários de Pashinyan ocorrem no momento em que o primeiro grupo de civis chega à Armênia vindo de Nagorno-Karaba.

    Um grupo de 30 a 40 pessoas, principalmente mulheres, crianças e idosos, está sendo registrado em um escritório humanitário, segundo a Rádio Pública da Armênia.

    Uma autoridade local na região de disputa disse que a maior parte da população armênia de Nagorno-Karabakh iria embora para a Arménia.

    “O nosso povo não quer viver como parte do Azerbaijão; 99,9% preferem deixar nossas terras históricas”, disse à agência Reuters David Babayan, conselheiro do presidente da autodenominada República de Artsakh, Samvel Shahramanyan. A região é conhecida como Artsakh pelos armênios.

    O Azerbaijão afirma que garantirá os direitos daqueles que vivem ali. Mas Pashinyan e especialistas internacionais têm alertado repetidamente para o risco de limpeza étnica dos arménios no enclave.

    “O destino do nosso povo ficará na história como uma desgraça e uma vergonha para o povo armênio e para todo o mundo civilizado”, disse Babayan, acrescentando que os responsáveis terão de responder diante de Deus pelos seus pecados.

    “Se os armênios de Nagorno-Karabakh não tiverem condições reais para viver nas suas casas e se não forem criados mecanismos práticos de proteção contra a limpeza étnica, a probabilidade de os armênios de Nagorno-Karabakh verem o abandono de sua terra natal como a única salvação aumentará”, disse Pashinyan.

    Os comentários dele e de Babayan são os primeiros desde o início do cessar-fogo, que chegou à região no sábado (23).

    Um comboio foi transportado ao longo do corredor de Lachin, a única estrada que liga a Armênia a Nagorno-Karabakh, informou o Comité Internacional da Cruz Vermelha num comunicado no X, antigo Twitter.

    A estrada está bloqueada desde dezembro de 2022 pelo Azerbaijão, e está inacessível ao tráfego civil e comercial.

    A breve ofensiva do Azerbaijão terminou com um cessar-fogo mediado pela Rússia, no qual os combatentes separatistas armênios concordaram em se render e deixar as armas.

    Pelo menos 200 pessoas foram mortas e mais de 400 ficaram feridas na operação militar do Azerbaijão, disseram as autoridades.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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