Professor avalia nível balístico do Irã: "Muita capacidade de retaliação"

Relatório da inteligência americana contradiz declarações de Trump sobre destruição do arsenal balístico iraniano, afirma Alexandre Coelho ao Bastidores CNN

Da CNN Brasil
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Uma avaliação recente da inteligência dos Estados Unidos concluiu que o Irã ainda mantém grande capacidade para lançamento de mísseis, mesmo após semanas de conflito. A informação contradiz diretamente as declarações de Donald Trump, que afirmou ter eliminado completamente os mísseis balísticos iranianos ou destruído praticamente todas as suas bases de lançamento.

Segundo Alexandre Coelho, professor de Relações Internacionais na FESPSP, em entrevista ao Bastidores CNN, a própria CIA está desmentindo essa narrativa, demonstrando que o Irã ainda possui muitas bases de lançamento de mísseis balísticos, principalmente na costa.

"Isso significa que o Irã ainda tem muita capacidade de retaliação, principalmente contra os países do Golfo, e de continuar causando estragos do ponto de vista geoeconômico para o mundo inteiro, inclusive ali no Estreito de Ormuz", explicou.

O professor destacou a inconsistência nas declarações de Trump sobre o conflito. "Talvez seja esse um dos motivos que Donald Trump tenha mudado a retórica de forma constante. Veja que hoje ele anuncia que deve conseguir desobstruir o Estreito de Ormuz de forma muito fácil, ou seja, ele volta agora com a narrativa de tentar desbloquear o Estreito de Ormuz", observou Coelho.

Coelho lembra que dias antes Trump havia afirmado que o Estreito de Ormuz não importava mais e que os Estados Unidos já tinham atingido seu objetivo. Segundo ele, há dois possíveis cenários a partir dessas informações:

"Um deles é que Donald Trump queira escalar ainda mais a guerra, até porque continuam sendo enviadas mais tropas a Irã. Em segundo lugar, o aumento dos discursos contra a OTAN, tentando culpar a existências de mísseis ou problema do bloqueio do Estreito de Ormuz pela falta de ajuda dos países europeus", projetou o professor.

Coelho também falou sobre o caça americano abatido no Irã, informação já confirmada por fontes norte-americanas. O professor classifica o episódio como parte de uma "guerra psicológica":

"O Irã vai utilizar isso como uma narrativa de estar criando dificuldades. A estratégia não é vencer militarmente os Estados Unidos, o objetivo é não ser derrotado, se manter de pé. O que talvez a gente não saiba é o que significa vitória para o lado dos Estados Unidos", pontuou o especialista, reforçando que há um "descompasso" entre o discurso de Trump e o que acontece no Irã.

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