Professor: Irã pode ser mais resiliente em conflito prolongado do que EUA
Ao WW, Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC-Minas, avalia escalada militar americana contra o Irã e seus riscos geopolíticos.
A escalada militar dos Estados Unidos contra o Irã pode não gerar os ganhos políticos esperados pela política externa americana. É o que avalia Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC-Minas, ao WW. Segundo ele, a estratégia de pressão militar adotada pelos americanos apresenta riscos consideráveis e pode resultar em um impasse perigoso.
Zahreddine explica que os americanos acreditam que pressionar militarmente os iranianos geraria vantagens nas negociações. No entanto, o professor questiona essa lógica.
"O maior erro dos americanos, na minha opinião, é acreditar que esse tipo de tática pode gerar algum tipo de ganho político real", afirmou.
Para ele, a situação se assemelha a uma dinâmica em que cada parte acredita estar cada vez mais próxima de seu objetivo ao intensificar os ataques, sem perceber o abismo que se aproxima.
Resiliência iraniana
O professor destaca que o Irã é um país com mais de 90 milhões de habitantes e um governo que, segundo ele, permanece firme. Zahreddine aponta ainda que, paradoxalmente, a guerra tem gerado unidade interna no país persa. "Para os iranianos, com toda a destruição, com toda a pressão, esta guerra, de alguma forma, tem criado unidade interna dentro daquele país", destacou.
Na análise de Zahreddine, a cada nova etapa da escalada imposta pelos americanos, os iranianos respondem com um novo degrau de escalada. Ele menciona o Estreito de Bab el-Mandeb — também chamado de "portal das lágrimas" — como um dos elementos que os iranianos podem acionar nesse processo.
Essa dinâmica alimenta um ciclo de tensão crescente que, na visão do professor, não tende a produzir resultados concretos para os Estados Unidos.
Zahreddine conclui que o momento é sério e crítico, mas que o Irã apresenta muito mais condições de resiliência em um conflito prolongado do que os Estados Unidos.
"O país persa tem muito mais condição de resiliência num conflito prolongado do que os Estados Unidos, que vai ser pressionado pelo sistema mundo, pela oscilação do preço do petróleo", afirmou.
Ele acrescenta ainda que os iranianos não aceitarão qualquer acordo, preferindo nenhum acordo a um acordo desfavorável.



