Professor: maior perigo é conflito EUA-Irã permanente de baixa intensidade
Especialista alerta que o verdadeiro perigo não é uma guerra total, mas um impasse duradouro com graves consequências econômicas globais
O professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército) Carlos Frederico Coelho avaliou, ao WW, o cenário atual da guerra no Oriente Médio, incluindo as mortes dos militares americanos. Segundo o especialista, o maior risco não reside em uma guerra total entre as partes, mas na possibilidade de um conflito permanente de baixa intensidade.
Guerra de coerção, não de conquista
Coelho destacou que nenhum dos dois lados busca conquistar o outro. "A gente está numa guerra onde os dois lados estão tentando coagir um ao outro a sentar à mesa", afirmou.
Para o especialista, as ameaças proferidas publicamente — como a de que cada americano morto seria respondido com retaliações muito maiores — não representam necessariamente o anúncio de uma estratégia militar concreta. "Numa guerra de coerção, a arma não é a força bruta, é o risco. Quem aposta na escalada dificilmente controla onde ela para", ressaltou.
O perigo real: instabilidade prolongada
De acordo com Coelho, o verdadeiro risco é a consolidação de um conflito permanente de baixa intensidade. Esse cenário, segundo ele, "contrata um choque econômico, contrata um barril de petróleo nas alturas, transforma a região num certo pântano estratégico e faz do mundo inteiro refém de um estreito de poucos quilômetros de largura".
Impacto sobre rotas estratégicas
O analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna destacou a importância estratégica do Estreito de Bab el-Mandeb e do Mar Vermelho para o comércio mundial. O estreito é responsável por aproximadamente 7% do petróleo mundial — cerca de 7 milhões de barris — e por 22% dos contêineres de navios do mundo.
A rota conecta o Oceano Índico ao Canal de Suez e ao Mar Mediterrâneo, sendo utilizada para o transporte de manufaturados provenientes da Ásia — incluindo China, Índia, Coreia do Sul, Japão e Sudeste Asiático — com destino à Europa.
A alternativa disponível, pelo Cabo da Boa Esperança, no sul da África, aumentaria o percurso em cerca de 6 mil quilômetros e entre 10 e 15 dias de viagem. "É um choque na cadeia de valor do mundo se os Houthis conseguirem manter esse fechamento", concluiu Lourival.



