Professor: Trump usa crise no Oriente Médio para reforçar apoio eleitoral
Em entrevista ao Bastidores CNN, professor Lucas de Souza Martins analisa que discurso de Donald Trump sobre guerra no Oriente Médio é estratégico para conquistar eleitores preocupados com alta do petróleo
A atual crise no Oriente Médio está sendo utilizada como plataforma política por Donald Trump, segundo análise do professor Lucas de Souza Martins, da Universidade Temple. Em entrevista ao Bastidores CNN, o especialista explicou como o ex-mandatário americano tem aproveitado o momento geopolítico para fortalecer sua base eleitoral.
De acordo com Martins, o discurso formal feito por Trump na noite de quarta-feira (1º) teve como alvo específico o eleitorado médio americano, que não possui alinhamento ideológico definido com os partidos Democrata ou Republicano. "Ele identifica uma necessidade que ele tem hoje junto ao eleitorado americano, que é um eleitorado especificamente médio, aquele que não tem uma ideologia necessariamente voltada à esquerda, à direita", explicou o professor.
O especialista destacou que a principal preocupação de Trump neste momento é o impacto econômico do conflito, especialmente em relação aos combustíveis. "Hoje, a questão dos combustíveis é o que mais traz questões e sinais de alarme para o presidente. A questão do abastecimento é algo que vai necessariamente gerar prejuízos eleitorais", afirmou Martins, acrescentando que este eleitorado específico "vota de acordo com o bolso".
Impacto da guerra na economia e nas eleições
O professor apontou que, embora os dados econômicos americanos mostrem uma melhora na criação de empregos, especialmente na área de saúde, os efeitos do confronto com o Irã ainda não foram sentidos pela economia. "Isso vai se manifestar nos próximos meses e isso pode claramente afetar a popularidade do presidente, que já é bastante delicada", alertou.
Segundo Martins, a popularidade atual de Trump está em torno de 30%, o que é considerado muito baixo para um presidente no início do segundo ano de mandato. O especialista ressaltou que este cenário é particularmente preocupante às vésperas das eleições de meio de mandato, que reconfiguram a composição das duas casas legislativas em Washington.
Fortalecimento do Irã e consequências globais
O professor também analisou as consequências geopolíticas do conflito, destacando que mesmo se Trump decidir retirar as tropas americanas da região, o legado será problemático. "Ele pode sair do Irã, mas não resolver necessariamente essa questão. O fato é que ele acaba gerando um problema no Oriente Médio que hoje é o fortalecimento do Irã", explicou.
Martins enfatizou que o Irã já consolidou seu domínio sobre o Estreito de Ormuz, determinando "quem entra, quem sai, quem não entra e quem não pode sair", independentemente da presença americana na região. "Isso gera necessariamente efeitos inflacionários com relação a crises de abastecimento", alertou o especialista.
O professor concluiu que a situação representa um dilema para Trump: por um lado, ele precisa demonstrar força para seu eleitorado; por outro, a continuidade do conflito pode gerar instabilidade econômica que afetará negativamente sua popularidade. "Por isso que ele precisa ter esse sinal de alerta. O presidente Trump precisa se comunicar exatamente com essa base, com este eleitorado, considerando que há hoje uma preocupação de como exatamente a economia é afetada e será continuamente afetada pelo que acontece no Oriente Médio", finalizou.


