Promotores dos EUA acusam dois cidadãos chineses de espionagem

Autoridades afirmam que dupla coletava informações sobre bases da Marinha americana e tentava identificar pessoas dispostas a trabalhar para Pequim

Christian Martinez, Ethan Wang e Liz Lee, da Reuters
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Promotores dos EUA acusaram dois cidadãos chineses de atuarem como agentes do serviço de segurança da China, acusando-os de coletar informações sobre bases da Marinha americana e tentar identificar pessoas dispostas a espionar para Pequim, informou o Departamento de Justiça.

Os suspeitos facilitaram um "pagamento indireto" de pelo menos US$ 10 mil, equivalente a aproximadamente R$ 54 mil reais, em um armário de uma instalação recreativa no norte da Califórnia em 2022, em troca de informações de segurança nacional dos EUA que já haviam sido repassadas à inteligência chinesa, informou o Departamento de Justiça na terça-feira (1°).

Yuance Chen, 38, residente permanente legal que mora em Happy Valley, no estado americano de Oregon, e Liren “Ryan” Lai, 39, que chegou a Houston, no Texas, vindo da China em abril com visto de turista, foram presos na sexta-feira (27), segundo as autoridades.

A dupla trabalhava para o MSS (Ministério da Segurança do Estado da China) e compareceu pela primeira vez a um tribunal federal em Houston e Portland, no estado do Oregon, na segunda-feira (30).

O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou desconhecer os detalhes do caso, mas que tomaria as medidas necessárias para defender os direitos legítimos dos cidadãos chineses.

"Sempre nos opusemos à propaganda enganosa dos chamados espiões chineses", afirmou o porta-voz do ministério, Mao Ning, a repórteres em uma coletiva de imprensa regular nesta quarta-feira (2).

O Departamento de Justiça não deu detalhes sobre quem forneceu as informações de segurança nacional ou sobre os militares alvos do recrutamento.

Após o pagamento de 2022, a dupla "continuou a trabalhar em nome do MSS, inclusive ajudando a identificar potenciais ativos para recrutamento do MSS dentro das fileiras da Marinha dos EUA", afirmou o Departamento de Justiça.

"O Partido Comunista Chinês pensou que estava se safando com seu plano de operar em solo americano, utilizando aeronaves de espionagem, como armas de fogo, para pagar fontes", disse o diretor do FBI, Kash Patel, em um comunicado.