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    Quem é Christian Zurita, substituto de candidato a presidente assassinado no Equador

    Ele se descreve como "jornalista indignado" e "esquerdista redimido", tendo ganhado prêmios e se especializado no combate à corrupção

    Christian Zurita, candidato à Presidência do Equador
    Christian Zurita, candidato à Presidência do Equador Reprodução/Instagram

    Da CNN

    São Paulo

    “Mataram meu amigo”, escreveu o jornalista Christian Zurita nas redes sociais em 9 de agosto, dia em que o candidato a presidente do Equador Fernando Villavicencio foi assassinado.

    Menos de uma semana depois, e após algumas reviravoltas, ele foi confirmado pelo partido Movimiento Construye como substituto na chapa que disputará as eleições.

    O grupo político havia anunciado anteriormente que Andrea González Náder, então candidata à vice-presidente na chapa de Villavicencio, seria a substituta, mas o partido decidiu evitar mudanças. A razão é o fato de não ter recebido informações do Conselho Nacional Eleitoral equatoriano sobre se poderia ou não alterar a posição de Náder, que foi inscrita como vice; a legislação do Equador diz que não pode haver mudanças.

    Zurita dividia a redação jornalística com Villavicencio e vinha trabalhando nos últimos meses em sua campanha política, até que, após o atentado que tirou a vida do amigo, aceitou ocupar seu lugar na disputa pela Presidência.

    Veja também — Quem era Fernando Villavicencio, político morto a tiros no Equador

    Um jornalista “indignado”

    Christian Zurita é jornalista, tem 53 anos e nasceu em Quito, capital do Equador. Segundo perfil divulgado pelo partido Construye, trabalhou como jornalista investigativo, se especializando em questões de corrupção, crime organizado e narcotráfico.

    Além disso, por 30 anos trabalhou em diferentes meios de comunicação, como Revista Vistazo, Teleamazonas, Diario Expreso e El Universo. Fundou também os sites MilHojas.is e PeriodismodeInvestigación.com.

    Neste último, em seu perfil, Zurita se define: “Jornalista indignado. Não há poder que não enfrente, nem questões que lhe sejam estranhas. Inimigo persistente das tiranias, crítico do jornalismo populista. Esquerdista redimido”.

    Ele também lista os reconhecimentos que recebeu, como o Prêmio Jorge Mantilla Ortega e o prêmio de jornalismo de dados da Associação Interamericana de Imprensa, por seu trabalho colaborativo regional.

    Também é coautor, junto com o jornalista Juan Carlos Calderón, do livro “El Gran Hermano”, pelo qual Rafael Correa, ex-presidente do Equador, foi levado a julgamento.

    Zurita e Villavicencio eram amigos

    Segundo o perfil divulgado pela Construye, Zurita e Villavicencio compartilharam uma amizade “das aulas da universidade” e foram “parceiros na luta contra a corrupção e as máfias por meio do jornalismo”.

    Além disso, escreveram juntos o livro “Arroz Verde. A Indústria da Corrupção”, de 2019, que revela como funcionários públicos e militantes do partido do ex-presidente Rafael Correa administraram propinas e fizeram contas de milhões de dólares em propinas.

    “Treze reportagens reunidas em um único livro detalham exatamente como empresas nacionais e internacionais elegeram presidentes no Equador, os mesmos que conseguiram contratos no setor público”, descreve um artigo do site PeriodismodeInvestigación.com, fundado por Zurita, sobre a obra.

    “La Fuente e Milhojas verificaram em uma complexa investigação que a Odebrecht e outras multinacionais instalaram presidentes no Equador. ‘Arroz Verde’ mostra que tivemos uma década de governos ilegítimos que se ajoelharam diante de dezenas de empresas mafiosas do setor privado”, continua.

    Em 2019, Fernando Villavicencio, Christian Zurita e Cristina Solórzano ganharam o Prêmio Jorge Mantilla Ortega de Jornalismo por essa investigação.

    *publicado por Tiago Tortella, da CNN

    Este conteúdo foi criado originalmente em espanhol.

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