Refém israelense diz ter sido agredido sexualmente em cativeiro em Gaza
Rom Braslavski estava entre os últimos 20 reféns vivos libertados no mês passado como parte do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas

Um refém israelense recentemente libertado alegou ter sido submetido a agressões sexuais "horríveis" e humilhantes enquanto estava em cativeiro em Gaza.
Rom Braslavski trabalhava como segurança quando foi sequestrado no festival de música Nova em 7 de outubro. Em entrevista ao programa "Hazinor" do Canal 13, ele disse que foi despido e amarrado enquanto era mantido em cativeiro pela Jihad Islâmica Palestina.
Ele é o primeiro refém do sexo masculino a alegar publicamente ter sido agredido sexualmente enquanto estava em cativeiro.
“Eles me despiram completamente, tirando toda a minha roupa, minha roupa íntima, tudo [...] Eu estava completamente nu. Estava exausto, morrendo de fome. E eu rezei para Deus: ‘Me salve, me tire daqui!’, e você fica pensando: ‘O que diabos está acontecendo?’”, disse Braslavski.
O refém afirmou que se tratava, “inequivocamente”, de agressão sexual.
“Foi violência sexual e seu principal objetivo era me humilhar. A meta era destruir minha dignidade e foi exatamente isso que ele fez”, disse Braslavski na entrevista, que foi gravada na semana passada e compartilhada com a CNN.
“É difícil para mim falar sobre essa parte, especificamente. Eu não gosto de falar sobre isso.”
Braslavski estava entre os últimos 20 reféns vivos libertados no mês passado, após mais de dois anos em cativeiro, como parte do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas.
Ele era mantido em cativeiro pela Jihad Islâmica Palestina, um grupo militante palestino em Gaza aliado ao Hamas, que também manteve reféns israelenses durante a guerra.
Os militantes divulgaram imagens de um Braslavski extremamente magro no início deste ano, e seu pai afirmou não reconhecê-lo. Sua mãe disse à mídia israelense que ele teria sido pressionado a se converter ao islamismo em troca de comida.
“É difícil. Foi uma coisa horrível”, disse Braslavski sobre o suposto abuso sexual que sofreu.
“Você só reza para Deus para que pare. E enquanto eu estava lá – todos os dias, a cada surra – eu dizia para mim mesmo: 'Sobrevivi a mais um dia no inferno'.”
“Amanhã de manhã, vou acordar para mais um inferno. E outro inferno. E outro inferno”, disse ele. “Não acaba nunca.”
Outros reféns israelenses alegaram ter sofrido agressão ou abuso sexual enquanto estavam em cativeiro do Hamas, alegação que autoridades do grupo palestino negaram repetidamente.
Mas até agora, apenas reféns mulheres haviam se manifestado.
Amit Soussana, uma refém israelense libertada após quase dois meses em cativeiro, alegou ter sido agredida sexualmente sob a mira de uma arma por seu guarda do Hamas.
Ela é uma das mais de uma dúzia de ex-reféns que descreveram ter sofrido ou testemunhado violência sexual durante o cativeiro, de acordo com um relatório compilado pelo Projeto Dinal.
A Representante Especial da ONU sobre Violência Sexual em Conflitos, Pramila Patten, também publicou um relatório no ano passado alegando ter encontrado informações “claras e convincentes” de que reféns em Gaza foram abusados sexualmente.


