Regime do Irã vai cair e muitos vão morrer, diz iraniano que mora no Brasil
Em entrevista à CNN, Kamiri, que deixou o país em 2017 devido à repressão governamental, relatou preocupação com familiares após 80 horas sem contato por cortes de internet e luz
Um imigrante iraniano que vive no Brasil desde 2017 acredita que o regime do Irã está prestes a cair, mas alerta que o processo pode resultar em um banho de sangue. Em entrevista à CNN, Kamiri, que deixou seu país natal devido à repressão do governo, compartilhou suas preocupações e expectativas sobre a atual situação política no Irã.
Kamiri relatou estar extremamente preocupado por não conseguir contato com sua família há mais de 80 horas devido ao bloqueio da internet e cortes de energia elétrica impostos pelo governo iraniano. "A gente fala sobre apagando a internet, a gente tem notícias sobre apagando de luz também, eles cortam luz também", explicou.
O imigrante, que já participou de manifestações no Irã, descreveu o regime como cruel em sua abordagem contra opositores. "Eu já participei das manifestações no Irã. E eu sei como eles são cruéis", afirmou. Apesar da preocupação, Kamiri também expressou um sentimento de esperança: "Outra sensação é uma sensação de alegria. Porque eu sinto que essa vez eu e muitos iranianos sentem que essa vez vai acabar. Essa vez esse regime vai cair".
Manifestações com força inédita
Segundo Kamiri, as manifestações atuais têm uma força diferente das anteriores porque começaram a partir do "bazar" - o mercado tradicional iraniano - indicando que a população enfrenta problemas básicos como acesso a alimentos. "O povo realmente tem problema de comida mesmo", explicou, sugerindo que a crise econômica intensificou o descontentamento popular.
Apesar da esperança de mudança política, o iraniano fez um alerta sombrio sobre o que pode acontecer durante a transição: "Isso aqui é muito preocupante também, porque eu sei que vai morrer muita gente e esse regime direito humano não existe, qualquer ética não existe. Então, eles vão sair e vão querer banho de sangue lá".
Kamiri deixou o Irã em 2017, buscando refúgio no Brasil para escapar da repressão governamental que, segundo ele, viola direitos humanos e princípios éticos básicos. Sua perspectiva oferece um raro vislumbre das tensões internas do país através do olhar de alguém que vivenciou pessoalmente a opressão do regime iraniano.


