Reino Unido vai continuar a fornecer armas defensivas à Ucrânia, diz porta-voz

Ataques da Rússia em locais próximos a fronteira da Ucrânia com a Polônia são "extremamente preocupantes", acrescentou membro do governo britânico

Reuters
Compartilhar matéria

Os bombardeios russos a uma base ucraniana perto da fronteira polonesa são profundamente preocupantes, mas não impedirão o Reino Unido de continuar fornecendo armas defensivas à Ucrânia, disse o porta-voz do primeiro-ministro Boris Johnson nesta segunda-feira (14).

"Esses ataques são profundamente preocupantes", disse o porta-voz de Johnson.

Questionado se eles impediriam o Reino Unido de enviar mais armas, ele disse: "Não. Vamos continuar fornecendo essa capacidade defensiva e letal ao governo ucraniano. É vital que o façamos, sabemos que tem sido útil, sabemos disso. Foi implantado com sucesso."

O alvo do ataque fica a cerca de 25 quilômetros de distância da fronteira com a Polônia, o que reforça a tensão entre a Otan, grupo do qual a Polônia faz parte, e a Rússia.

Aliados da Ucrânia, incluindo Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos, estão enviando com urgência milhares de mísseis antitanque e antiaéreos para Kiev em resposta à agressão de Moscou

O Ministério da Defesa russo disse que o ataque destruiu "mercenários estrangeiros e uma grande quantidade de armas estrangeiras".

No sábado (21), antes do ataque, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Ryabkov, disse que a Rússia “avisou os EUA de que a entrega de armas que estão a organizar a partir de vários países não é apenas um movimento perigoso, é um ato que torna os comboios respetivos em alvos legítimos”, alertou Serguei Riabkov em entrevista este sábado ao jornal Canal de TV Pervy Kanal.

Serguei Riabkov afirmou também que as “garantias de segurança” pedidas pela Rússia ao Ocidente, incluindo a garantia de que a Ucrânia nunca ingressaria na Otan, deixaram de ser válidas.

“A situação mudou completamente. A questão agora é colocar em prática os objetivos dos nossos líderes”, afirmou, referindo-se à “desmilitarização” da Ucrânia pedida pelo Kremlin.

“Se os americanos estiverem dispostos, é claro que podemos retomar o diálogo”, acrescentou, especificando que Moscou estava pronta, em particular, no que diz respeito aos acordos Start para limitar os arsenais nucleares. “Tudo depende de Washington”, disse.

Por outro lado, a base ucraniana bombardeada fica apenas a poucos quilómetros da fronteira com a Otan. Se as explosões atingissem território polaco, o Artigo 5.º do tratado é claro: “Um ataque contra um Estado-membro é um ataque contra todos os Estados-membros”.