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    Retomada de caça de baleias é criticada na Islândia em meio à volta de turistas

    Última empresa baleeira da Islândia deve retomar atividades após quatro anos

    Indústria turística islandesa acredita que caça de baleias prejudica imagem do país
    Indústria turística islandesa acredita que caça de baleias prejudica imagem do país M Swiet Productions/Getty Images

    Jenna Gottliebda CNN

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    Após uma pausa de quatro anos, a última empresa baleeira da Islândia, a Hvalur hf., retomará a caça dos animais neste verão, para desgosto das autoridades de turismo.

    Como a pandemia de Covid-19 teve um impacto devastador na indústria do turismo da Islândia, a reação negativa à caça às baleias é a última coisa que muitas autoridades do setor desejam.

    “Na verdade, é bem conhecido e amplamente divulgado que a indústria do turismo acredita que a caça às baleias prejudica a imagem da Islândia como destino turístico”, disse Jóhannes Þór Skúlason, diretor-executivo do Conselho de Turismo da Islândia. “Tudo o que você precisa fazer é ver como a caça às baleias é noticiada na imprensa estrangeira”.

    “[A caça] É frequentemente relatada em publicações maiores com cobertura acalorada”, continuou Jóhannes. “Na indústria do turismo, tanto nas empresas privadas quanto nas pesquisas públicas, nas cartas, telefonemas e outras comunicações, a caça às baleias tem um efeito muito preciso, e as empresas de turismo sentem isso no momento em que a caça entra novamente na discussão”.

    Representantes da empresa expressaram indignação com a retomada planejada da caça aos animais. “A indústria do turismo e a maioria dos cidadãos islandeses são contra”, afirma Ásberg Jónsson, CEO da Travel Connect, uma grande empresa de serviços de viagens com sede em Reykjavík, capital do país.

    “É triste e frustrante saber que esta empresa, Hvalur, pretende retomar a matança desses animais na Islândia. É muito prejudicial à reputação do nosso país. Isso, por sua vez, tem repercussões para nossas indústrias de exportação e turismo”.

    As apostas são altas, pois o turismo na Islândia parou durante o auge da pandemia de Covid-19. “Somos uma ilha, então obviamente a barreira para viajar aqui é um pouco maior do que as pessoas que visitam um país vizinho”, disse Sigríður Dögg Guðmundsdóttir, chefe do Visit Iceland.

    Embora a Covid-19 tenha causado estragos em nações em todo o mundo, muitos países não são tão dependentes do turismo quanto a Islândia. Antes da pandemia, o turismo era a maior atividade do país.

    De acordo com dados da Câmara de Comércio da Islândia, o crescimento do setor atingiu o pico em 2017, quando as exportações do turismo representaram 42% do total do país.

    Na esteira da pandemia, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi afetado no ano passado. As atividades relacionadas com reservas de viagens, transporte aéreo, alojamento e restauração diminuíram entre 50% e 75% em relação a 2019, o que levou a uma contração no setor do turismo e queda de de 3,9% do PIB em 2020.

    Hvalur enviou seus navios pela última vez para caçar no verão de 2018, e um total de 146 baleias foram capturadas durante a temporada. Dependendo da luz, a temporada de caça normalmente começa em junho e dura até setembro.

    Estima-se que cerca de 150 pessoas trabalham nos botes baleeiros em uma estação no oeste da Islândia e nas instalações de processamento da empresa fora de Reykjavík.

    Alguns argumentam que a caça às baleias faz parte da cultura islandesa e deve ser retomada.

    “A caça às baleias tem uma longa tradição aqui na Islândia, e acho que a caça razoável e controlada deve ser permitida”, disse um trabalhador ocasional da estação, que não quis ser identificado porque poderia afetar seu emprego, à CNN.

    “São apenas cerca de 125-150 baleias-comuns caçadas a cada ano nas sete estações desde que a Islândia começou a caçar baleias novamente em 2006. Naquele ano, acho que apenas oito baleias foram caçadas”.

    E-mails negativos

    É intrigante para muitos que a Hvalur, que é dirigida pelo CEO Kristján Loftsson, continue a caça às baleias  tendo em vistas as preocupações ambientais e de suas finanças precárias.

    “É difícil para nós entender por que, já que a caça às baleias não é apenas uma prática prejudicial, também não é mais viável financeiramente”, disse Ásberg, da Travel Connect.

    Loftsson, da Hvalur, não quis comentar.

    As atividades baleeiras da Islândia representam cerca de 3% de todas as baleias caçadas no mundo, de acordo com um relatório de 2019 do Ministério de Indústrias e Inovação do país.

    Em 2017, a receita total das empresas de observação de baleias foi de 3,2 bilhões de coroas islandesas (US$ 26,5 milhões). Enquanto isso, a receita da Hvalur no mesmo ano foi de 1,7 bilhão de coroas (US$ 14,1 milhões).

    No entanto, os passeios de observação de baleias trazem mais receita, pois é uma atividade popular para turistas durante todo o ano.

    Muitos estão fartos do impacto de uma empresa, especialmente porque as companhias de turismo esperam neste verão retornar a um número “pré-Covid” de turistas, e uma questão controversa como a caça às baleias é decepcionante.

    “No geral, nossas marcas de viagens não sofreram muitos cancelamentos por causa disso, mas de vez em quando recebemos e-mails negativos sobre o assunto”, disse Ásberg. “Sempre explicamos que, como empresa, não apoiamos a caça de baleias. Todos deveriam poder ver essas criaturas incríveis prosperando em seu habitat”.

    Um último hurra?

    A temporada de 2022 pode ser a última de Hvalur, já que a atual licença para caçar baleias expirará em 2023, e o Ministro das Pescas e Agricultura da Islândia decidirá se deve ou não parar de emitir licenças de caça a partir de 2024. Ao que tudo indica, há pouca demanda por produtos baleeiros, e a indústria faz muito pouco pela economia da Islândia.

    “Qualquer caça às baleias nas águas islandesas é baseada na ciência e de acordo com a lei internacional”, disse Sigríður. “A Hvalur tem a licença necessária para realizar a atividade baleeira neste verão. Cabe à administração e aos proprietários determinar se eles a usarão e ao povo e ao governo islandês determinar se quaisquer licenças futuras serão concedidas. Nos últimos três anos , apenas uma baleia Minke e nenhuma baleia grande foi capturada”.

    Todas as restrições do Covid-19 foram encerradas em março de 2022, e os executivos do turismo têm grandes esperanças de um bom verão.

    “O turismo na Islândia está se recuperando bem”, afirma Sigríður. “Em nossas projeções, esperamos números próximos do normal neste verão e um retorno total no próximo ano”.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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