Rússia diz que consertará aviões de guerra danificados em ataque da Ucrânia
Moscou, que possui uma frota estimada de 67 bombardeiros estratégicos, não deu detalhes sobre quais aeronaves foram danificadas, mas afirmou que cinco bases foram alvo da ofensiva
Os aviões de guerra russos que foram danificados, mas não destruídos, em um ataque ucraniano no último domingo (1º), serão restaurados, anunciou o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov.
Drones ucranianos atingiram campos de aviação na Sibéria e no extremo norte, onde Moscou abriga bombardeiros pesados que fazem parte de suas forças nucleares estratégicas.
Os Estados Unidos estimam que até 20 aeronaves foram atingidas e cerca de 10 destruídas, informaram duas autoridades americanas à agência de notícias Reuters, um número que é cerca de metade do estimado pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Mas Ryabkov, que supervisiona a diplomacia de controle de armas, disse à agência de notícias estatal TASS: “O equipamento em questão, como também foi declarado por representantes do Ministério da Defesa, não foi destruído, mas danificado. Ele será restaurado.”
Não ficou imediatamente claro com que rapidez a Rússia conseguiria consertar ou substituir a aeronave danificada — se é que conseguiria — dada a complexidade da tecnologia, a idade de algumas aeronaves da era soviética e as sanções ocidentais que restringem as importações russas de componentes sensíveis.
Imagens comerciais de satélite obtidas após o ataque de drones ucranianos mostram o que especialistas disseram à Reuters parecerem ser bombardeiros estratégicos russos Tu-95 e bombardeiros de longo alcance Tu-22 Backfire danificados, que Moscou usou para lançar ataques com mísseis contra a Ucrânia.
Novo capítulo se desenha após ataque
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou ao líder dos Estados Unidos, Donald Trump, em conversa telefônica na quarta-feira (4), que Moscou teria que responder aos ataques, relatou Trump.
A Rússia possui uma frota estimada de 67 bombardeiros estratégicos, incluindo 52 Tu-95, conhecidos como Bear-H pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e 15 modelos Tu-160, conhecidos como Blackjacks, dos quais cerca de 58 estariam em operação, segundo Boletim dos Cientistas Atômicos.
Além disso, possui 289 caças e bombardeiros não estratégicos, incluindo Tu-22, Su-24, Su-34 e MiG-31, conforme o Boletim.
A Rússia não deu detalhes sobre quais aeronaves foram danificadas, mas afirmou que a Ucrânia atacou cinco bases aéreas.

O Tu-95 e o Tu-22 são aeronaves da era soviética, operacionais há muitas décadas.
O conglomerado industrial estatal Rostec afirmou em 2024 que versões modernas e atualizadas do Tu-95 estão em serviço e que não há planos para aposentar a aeronave.
O modelo mais recente, um Tu-95MSM, está em desenvolvimento e realizou seu primeiro voo de teste em 2020, a Rostec afirmou que ele representa uma atualização significativa que aumentará a eficiência e a vida útil da aeronave.
A United Aircraft Corporation, subsidiária da Rostec que fabrica os aviões, afirmou que o Tu-22M3 estava em produção em série desde 1978 e entrou em serviço militar em 1989.
A Rostec não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre quais seriam os desafios específicos em termos de peças para a aeronave.


